Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre

Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida 🙂

Tardo, mas não falho! Vim aqui registrar meus primeiros 4 dias aqui, porque o primeiro dia de trabalho, que foi ontem, vai ficar pra um oooutro capítulo!

Meus últimos dias no Brasil foram de uma felicidade imensa. Sabe quando você vai a um casamento e fica todo mundo inebriado de felicidade junto com os noivos, inspirado, esperançoso da vida e das pessoas? É uma energia muito boa! Por isso que amo casamentos! Senti essa mesma energia boa coletiva na época da formatura, e senti com mais força ainda nesses últimos dias. Rever as pessoas que eu amo e ganhar um abraço apertado, cheio de desejos de sucesso e felicidade, dizer pras pessoas várias vezes o quanto elas são importantes pra mim…

No aeroporto, falei mais uma vez pro pai e pra mãe o que já tinha dito 11 anos atrás (!) quando me mudei pra Floripa: “Não fiquem tristes!!! Eu tô exatamente onde eu queria estar!”. E dessa vez complementei: “Eu tô indo porque eu quero. Se algum dia essa não for mais a minha escolha, eu arrumo as malas e venho embora. Simples assim!”. Mas que belo episódio de Chegadas & Partidas hein?! Perdeu, Astrid!

Então assim que eu passei pelo portão de embarque, eu parei de chorar e fui tomada por uma alegria e uma esperança enormes. Nem sequer arranjei com o que me distrair, fiquei só sentadinha ali, com meu passaporte na mão, pensando na vida e em quanto eu tenho pra agradecer por ter gente tão maravilhosa ao meu redor.

Só fui acordar desse transe com uma baita turbulência na hora de aterrisar em São Paulo. O casal do meu lado com os nós dos dedos branquinhos de tanto apertar a mão um do outro, e eu com um sorriso no rosto. Eles deviam querer me matar, hahaha mas o fato é que ah… eram só umas nuvens densas. E eu tava feliz demais!

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Mas tá, vou progredir que tá chato esse negócio. De fato nem tudo são rosas nessa vida e aqui é vida real, mano! Baita temporal em SP, baita avião velho da BA e a cereja do bolo: um gurizinho espanhol que não.calou.a.boca.o.vôo.in-tei-rooooo!

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Mas um casal simpático de sessentões do meu lado tava falando uma língua que eu não reconhecia de jeito nenhum, então quando chegou o jantar e rolou uma interação, aproveitei pra matar a curiosidade, hehehe. No fim das contas, a mulher era brasileira e ele era norueguês, aí ela me contou que mora na Noruega há 10 anos, que a vida lá é muito boa etc. Depois que ela me pediu o que eu ia fazer no UK, a conversa naturalmente evoluiu pra saúde pública, e aí ele me contou que para todo e qualquer atendimento, procedimento, medicação, tratamento como um todo, a pessoa paga até um teto de 80 reais. Então por exemplo, ele fez uma ressecção de menisco esse ano. Pagou 80 reais por internação, cirurgia, medicações pra levar pra casa no pós-op… achei sensacional.

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Quando aterrisamos aqui, de novo veio aquela onda de felicidade e frio na barriga, e quando a mulher do meu lado, que tinha falado inglês comigo o tempo todo, depois do “Ladies and gentlemen welcome to London” se inclinou mais pertinho de mim e disse “Sucesso e felicidades!” em português, meus olhos encheram de lágrimas!

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Obvio – ´OBVIO – que a roda da minha mala quebrou. Eu só precisava que ela sobrevivesse mais 700m, mas tudo bem. Empilhei loucamente todas as malas num carrinho só e fui encontrar o Alex no portão de desembarque! Acho que foi o abraço mais comprido que a gente já deu! Tava lá devidamente repatriado, com o cachecol no pescoço e o Times na mão. Fui matraqueando até metade do caminho, daí no metrô ficamos só naquele silêncio contemplativo, meio sem acreditar que deu tudo certo e estamos os dois aqui, como queríamos há tanto tempo. E era uma manhã daquelas tipo cenário de filme de suspense assim, neblinona densa, as árvores bem peladinhas, um vento frio!

Primeira coisa que fizemos chegando em Green Park foi chamar um black cab, heheheh e pior, o motorista não tinha The Knowledge, porque precisou de GPS pra chegar no hospital! (Obs.: The Knowledge é uma prova que os taxistas têm que fazer pra assegurar que eles têm O Conhecimento sobre as ruas e rotas de Londres, hahaha, a prova mais exigente do mundo pra taxistas, e exige em média 12 tentativas pra passar! Por isso que os táxis pretinhos são tão famosos e icônicos).

Bom, vou ter que ser menos prolixa porque nesse momento são exatamente 9 da manhã do meu primeiro dia aqui, e pra quem queria contar quatro dias… babou! Mas é que aí começa uma parte mais engraçada: chegamos no hospital, deixei o Alex com as malas na rua de trás do hospital e dei a volta pra chegar na recepção e falar com o Front of House Manager. (Não, não abandonei o Alex no relento com 2 malas de 32kg! Alguém benevolente deixou a gente entrar e ele esperar no hall do prédio, hehehe).

O plano era: quarto 2º andar até sábado, quando a fellow sul-africana iria embora, e aí eu poderia mudar para o 5º andar, onde fico todo o mês de março. Eis que ela disse pro recepcionista que ia sair dia 26 e ele resolveu dar aquele quarto provisório pra outra pessoa, já que eles também alugam esses quartos como se fosse uma pensão (haha vernáculo ancião) pra parentes de pacientes vindos de longe. E ela não tinha desocupado o quarto ainda. Ok, vou ali tomar café da manhã com o meu namorado, depois vou no RH e volto em seguida. E aí lá fomos nós rolar as malas rua afora, pelo lado de fora do hospital pq é meio labirinto aqui dentro e íamos ser a atração do hospital carregando aquilo tudo corredor afora.

Pois bem. Voltei do RH as 14:30 e nada! Ou seja: sinto muito, Miss N, a senhorita está sem quarto até segunda ordem! Mega constrangidos, mas eu falei “imagina, não tem tempo ruim”. Hahahahah nessa hora só dei graças que tínhamos reservado hotel pra essa primeira noite e que eles me deram a chave do Lounge de Alta Hospitalar pra abrir minhas malas e catar umas coisas pra essas primeiras 24h. Agora imagina a cena, quanto glamour e dignidade, eu ali no meio da recepção do hospital, sentando em cima da mala pra ela fechar de volta depois de eu revirar! Pelo menos fiz isso na privacidade da tal salinha!

Aí fui pro hotel, já resolvi mais umas coisas burocráticas (tava despesperada já com mil emails pra mandar e sem 3G nem wifi!) e o Alex chegou depois com uma caixinha de chocolates Godiva pra me paparicar um pouco :))) à noite fomos jantar no The Churchill Arms, um pub em Kensington que é muito massa, uma coisa bem Traditional English pub meets authentic Thai cuisine. O dono é inglês e a esposa é tailandesa, então a parte da frente é um pub mesmo, e atrás tem um jardim de inverno que não sei nem como que eles mantém aquelas plantas todas! Não consigo fazer nem uma continuar viva na minha mão. Hahahaha mas enfim, eles servem uma comida tailandesa MEGA apimentada e deliciosa, que fez o Alex suar em bicas (“isso, vamos tirar foto antes de começar a comer, porque depois eu já sei que não vai dar certo”) e meu nariz desintupir milagrosamente por uma hora!

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Bom, vou dormir e amanhã se der tempo volto pra contar mais! BEIJO!!

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