These streets will make you feel brand new

Big lights will inspire you

Ok, ok, eu sei que a música foi feita pra NY, mas vale pra Londres também 🙂

Hoje fizemos só uma cardíaca, as coisas tavam meio devagar por falta de funcionários na UTI. Aqui é um funcionário por paciente na UTI, e mais alguns extra por lá que ainda não sei exatamente quantos são. Só que é impressionante, no país todo existe uma taxa de ocupação de vagas pra enfermagem menor que 80%!!! Mesmo em Londres, que é a cidade das oportunidades e da competição por vagas, a maioria dos hospitais trabalha em torno disso também. Então só teve uma cardíaca, que foi a minha \o/

Por sorte to ficando sempre na sala de um residente da cirurgia que é muito gente boa e que fala pra foraaaa, gente que diferença que faz na minha felicidade, hahahaha. Ele já aprendeu meu nome e gosta de chamar todo mundo na sala pelo nome, que eu adoro também. Então rola uma comunicação bem efetiva, que é essencial durante a cirurgia, que por sua vez faz com que meus níveis de animação aumentem exponencialmente. A cada dia que passa fico um pouquinho mais ágil, um pouquinho mais ligada no que os outros tão falando (sério, não é facil ouvir duas ou três conversas em paralelo, e às vezes isso é necessário) e mais autoconfiante. Claro que isso é partindo de expectativas ajustadas né. Não estou nem perto dos níveis que gosto de ter, mas perceber melhora a cada dia já me satisfaz por enquanto. A Bee me disse no primeiro dia: “Gabi, coloque as tuas expectativas em ordem porque os primeiros 3 meses são um retrocesso, você vai sentir como se tivesse andado pra trás, então nem se exija estudar loucamente nem nada, simplesmente vá fazendo o teu trabalho e absorvendo tudo como uma esponja”. E é isso que eu tô fazendo, hehehehe.

Bom, não quero me prolongar muito, mas aí as coisas acabaram bem cedo, vi os pacientes de amanhã e assim que anoiteceu, peguei minha câmera e fui bater perna pela vizinhança.

Detalhe que minha vizinhança é muito nobre!!! Os brasileiros que conheço aqui falaram “whooooa ta morando maaaal em W1 hein!” hehehe. W1 é o meu CEP, e significa que tô morando no coração de Londres! Outro dia explico o esquema dos CEPs, é bem legal. O hospital fica em Marylebone, que é um bairro consideravelmente posh no West End de Londres. Sabe-se lá por que raios, fala-se Marlebone, como se não tivesse o y. Então estou a 5 minutos da Oxford St, a 5 minutos do Regent’s Park e a 15 minutos do Parlamento! Uma delícia 🙂

Nem fui muito longe, fui até All Souls Langham Place, uma igrejinha que fica na frente da BBC, na parte norte da Regent Street, e depois desci a Regent Street até Piccadilly Circus e voltei pela Oxford Street e aquele meu cantinho escondido que eu adoro, St. Christopher’s Place.

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E devo dizer que meu quartinho muito rapidamente se tornou um lar! Adoro chegar aqui no fim do dia, antes de botar a chave na porta já sinto o cheirinho bom do aromatizador. De manhã cedo, adoro minha rotina de tomar um chá na poltrona enquanto dou uma lida nos sites de notícia e blogs que acompanho. Acho que como sonhava morar aqui há tanto tempo, me acostumo super rápido com as coisas por ver o lado bom, sabe? Ano passado durante o estágio eu amei Islington também, me lembro com saudade da minha rotininha na casa do Will e da Sophia. Às vezes o pessoal no hospital faz uma cara de pena tipo, “ahhh, tá morando aqui no hospital?! Mas é temporário, né?!” e eu digo “sabe que é melhor que eu esperava?!”. Não gostaria de ficar aqui direto, mas certamente vejo as conveniências que fazem algumas pessoas escolherem assim. Cara, é muito bom não ter que “ir” pro trabalho, hehehe. Boto a roupa do centro cirúrgico e em 30 segundos, estou lá. Mínimo esforço! Hoje, por exemplo, em vez de almoçar na copa como todo mundo, vim almoçar no meu quarto, curtindo um solzinho, sentada na minha poltrona do vovô! E acordo geralmente meia hora antes de sair daqui, chego cedo lá embaixo… E no fim do dia, o paciente que eu tinha que ver tava com toda a família em volta, jantando. Em vez de esperar ou ter que pedir licença pra família, fui viver a vida e voltei mais tarde bem tranquilona. Mas por outro lado, o banheiro é compartilhado e tem pouco espaço, então acho um saco ter que levar sabonete líquido, shampoo, condicionador e tralhas associadas toda vez que vou tomar banho. Depois que descobri que só tem mulher morando aqui no meu andar e como meu quarto é do lado do banheiro, já larguei mão de levar roupa e vou e volto só de toalha, hehehe pra ficar mais prático. E outro fator limitante é a cozinha, que tem só duas bocas de fogão e um micro e pasmem! Não tem geladeira! Só no andar de baixo. Mas daí a gente se adapta, em vez de tomar meu chá preto com leite, larguei mão e tô tomando um de limão e gengibre que é uma delícia, daí não precisa da função do leite. Uma enfermeira que eu encontro na cozinha de vez em quando me disse que tem um frigobar no quarto, e uma outra moça tem um forninho elétrico, enfim… quem fica a longo prazo vai achando um jeito de tornar ainda mais conveniente.

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Tô filosofando meio demais ultimamente, hahahaha mas acho legal que apesar de estar extremamente feliz e realizada, aprendendo muita coisa nova todo dia, não tá rolando um deslumbre indiscriminado com a minha vida nova. Como diz o Frejat, “rir é bom, mas rir de tudo é desespero”. Existem sim, algumas coisas que preferia que fossem diferentes, ou que espero que melhorem, tanto no trabalho quanto na vida normal, e por isso mesmo que fico feliz, porque acho que a gente tem que descobrir aonde o calo aperta, pra depois tomar as decisões da gente. Exemplo boboca: se pra uma determinada pessoa, se acostumar com a pele seca é menos sofrido do que passar hidratante todo dia, pronto, a decisão está tomada! Abrace a secura da sua pele e vá ser feliz! Hahahah… Tudo na vida, absolutamente tudo, tem um lado bom e um lado ruim. Um dos princípios do Budismo inclusive é que o sofrimento faz parte da vida, porque mesmo quando você conquista algo que é maravilhoso, imediatamente se segue o medo de perdê-lo. Então o único antídoto é se trabalhar pra aceitar que a única constante da vida são as mudanças, a ser mais desapegado, e a viver com mais leveza. Mas enfim, o que quero dizer é que o copo está definitivamente meio cheio, pelo menos por enquanto 🙂

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4 respostas em “These streets will make you feel brand new

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