Home sweet home!

ACHEEEEEI!!!

Finalmente tenho um lar! Mas primeiro devo contar que minha procura eterna atingiu o clímax no domingo passado. Tava esperando a resposta de um outro flat que tinha uns defeitinhos mas eu tinha gostado bastante, numa localização excelente, e a guria me retornou e dizendo que elas tinham oferecido o quarto pra uma outra pessoa que disse já na hora da visita que amou o flat e queria se mudar o quanto antes, etc etc. Cometi o mesmo erro duas vezes, que foi não ser (ou pelo menos parecer…) loucamente empolgada com o lugar assim que vi – faz parte do processo em Londres o fato de que você fica na vantagem dependendo do momento da tua busca que você ta. Explico: no início, você acha defeito em tudo. Ah, podia ser mais perto da estação, o banheiro é velho (o banheiro é velho em 88.7% das vezes), sempre tem alguma coisa. Ai você continua procurando e descobre que aquele mesmo apartamento que você achou defeitos antes, na verdade nem é tão ruim assim, e que você poderia tranquilamente conviver com um banheiro velho desde que ele funcione. Aí você diz pra quem ta alugando “ah gostei bastante, legal o flat, espero sua resposta então”. E vem outra pessoa que ta procurando há mais tempo, já ta de saco cheio e diz “SIM!!!! Não tem carpete na cozinha nem no banheiro!!!! Amei!!!!! Posso mudar amanhã?” Hahahah e essa pessoa leva!

Bom, ai tava naquela deprezinha do “não vou encontrar nunca”, vendo as páginas do SpareRoom pela quadrilhonesima vez, quando encontrei um quarto disponível no prédio que eu namoro desde agosto do ano passado quando procurei lugar pra ficar durante o estágio. Tinha acabado de ser postado!! Localização perfeita, prédio clássico por fora mas moderninho por dentro, porteiro, academia, gente isso não existe em Londres! O quarto ainda cabia no meu bolso direitinho, pensei “é hoje, malucoooo! Se não odiar o lugar, vou confirmar no ato!”. Dei um pulo na cadeira, mandei mensagem e liguei pro cara marcando de ir ver o apê dali a duas horas! Cheguei lá e o landlord era um cara novão, de uns 35 anos. Perguntei se ele tinha experiência em alugar, disse que os imóveis eram dos pais dele, que eles alugavam mais dois apês em Canary Wharf e nunca tinham tido problemas com inquilinos. Flat todo bonitinho por dentro, banheiro novinho, cozinha mobiliada, armário embutido e enorme no quarto. “Ok, cadê o contrato e quanto é o depósito?!”. Aqui existe o deposit, que nada mais é do que um cheque caução, e alguns landlords e agências pedem um holding deposit, que é uma parte do deposit que você paga na hora pra tirar o quarto ou apartamento do mercado por determinada quantidade de horas ou dias até que a papelada seja feita. Pois bem, assinei o pré-contrato e fui tentar transferir o holding deposit pra conta do cara. Meu banco não deixou, porque eu não tinha um leitor de cartão ainda, que é o esquema de segurança pra poder fazer transações online. Ai ok, combinei com ele que iria sacar o dinheiro então, e se o meu limite de saque fosse menor que o depósito, eu pagaria o restante no dia seguinte. Mas ao mesmo tempo, alguma coisa não parecia estar certa, ele tinha uns contratos impressos e toda a papelada na mão, parecia legítimo mas eu tava com uma sensação ruim. Cheguei embaixo do prédio, liguei pro Alex pra contar a função toda (ele sabia que eu ia ver esse apê e obviamente sabia da minha paixão platônica pelo condomínio) e me dei conta de que tinha deixado o cartão do banco em casa, afinal só tava indo ver e até aquele momento ninguém tinha pedido holding deposit. Subi de novo pro flat, pedi um contrato pra ir lendo no metrô e disse que ia pra casa buscar o cartão e estaria de volta em uma hora. O Alex então me ligou de volta e disse que se eu achasse que era seguro, que o cara era certinho, ele transferiria o dinheiro pro cara pra me poupar de ir pra casa. Mas eu continuava com aquela sensação ruim! Eis que tive uma ideia brilhante: fui até o porters lodge e perguntei pro porteiro qual era o nome do landlord do apartamento x, porque o fulano de tal tinha acabado de me mostrar o apê como landlord e eu queria confirmar. O porteiro achou a pasta de apartamentos, abriu e me olhou assim de sobrancelha franzida: “olha, eu teria muito cuidado. O fulano de tal está listado aqui sim, mas como inquilino e não como dono. O landlord é MyLondonHome. Se ele estiver sublocando o apartamento e a imobiliária descobrir, ele vai ser despejado e o contrato dele com você não vale nada. Você é despejada junto e nunca mais vai ver a cor do seu depósito… Liga pra MyLondonHome e pergunta se esse cara tem direito de sublocar. Se ele tiver, vai fundo! Mas se não tiver, corre longe”. Adivinha qual era a opção correta! Ai. Chorei! Hahahah ui que frustração! Mas no fundo fiquei orgulhosa e aliviada. Fui salva pelo gongo, porque tava tão desesperada já pra acabar com essa função eterna de procurar apartamento, que se estivesse com o cartão, mesmo com aquela sensação esquisita eu teria provavelmente pago pro cara. Talvez até desse certo e eu me mudasse, ninguém descobrisse e eu vivesse lá pelos 6 meses do contrato sem ser despejada… Mas fiquei super orgulhosa porque achei um jeito lógico e rápido de descobrir se era falcatrua! E fui andandinho pela beira do rio de volta pro metrô e pensando comigo quanto crescimento em pouco tempo, e como apesar de todos os pesares dessa função do apê e principalmente apesar da tristeza de ter um apê perfeito nas mãos e descobrir que era falcatrua, Londres vale a pena cada segundo e eu ainda fico incrédula quando paro na frente do Big Ben e penso que essa é a minha cidade agora!!

Edit

Pois bem. Cheguei em casa e voltei a procurar, achei um lindinho, recém reformado, quarto espaçoso com um guarda roupa decente, escrivaninha, perto do metrô, um pouco a leste da Tower Bridge, pertinho do rio, supermercados pra dar e vender na redondeza. E ERA VERDADEEEEEEEEE!!!

Depois da experiência de domingo, foi um alívio saber que os donos fazem tudo direitinho, usam uma empresa de referenciação, depósito certificado e protegido, tudo como deve ser feito. E depois de uma espera meio ansiosa, quinta de manhã saí do plantão direto pra pegar minha chave no trabalho do landlord em Oxford Circus. Aí sim Brasilllllll!!!

Quinta nem fiz nada, só fui pra casa dormir. Como a gente faz várias noites em seguida, o melhor jeito é trocar de fuso mesmo, então eu dormia das 9:30, 10 até quando desse vontade, almoçava e ia trabalhar!

E em 03/04, sexta-feira Santa, fiz minha mudança \o/ dormi uma hora depois do plantão até o Alex chegar. Eu tinha dito que ele não precisava vir mas ainda bem que ele quis vir mesmo assim! Fizemos duas viagens do hospital até o apartamento, que normalmente seria coisa rápida em uma linha só, em condições adversas: Jubilee line em reforma na minha estação (Bond Street), então tínhamos que pegar a Bakerloo de Regent’s Park até Waterloo, trocar de linha junto com hordas de turistas, e na segunda viagem começou aquele chuvisco molha-bobo que é praticamente o único tipo de chuva que vejo em Londres! Mas rimos tanto, tanto, que o dia foi uma delicia!!! Quando finalmente acabamos, fomos “almojantar” um fish’n’chips enorme no The Ring em Southwark, numa mesa externa embaixo daqueles aquecedores delicia, antes de ele voltar pra Dorset.

Apesar do sono e cansaço aterradores, depois de me despedir dele ainda arranjei forças no âmago do meu ser pra me arrastar de busao de Waterloo até o Tesco gigante que tem perto de casa pra comprar coisas essenciais tipo papel higienico, pasta de dente, roupa de cama, edredom e… espuma para banho de banheira #prioridades hehehehe

Gente, não consigo descrever a felicidade de ter uma casa pra voltar, caminhando em direção ao Shard numa noite gelada com aquela neblina densa que faz com que chegar em casa seja mais aconchegante ainda, e ter a grata surpresa de descobrir que dá pra ver a Tower Bridge da minha rua!!!

E essa é a vista do meu quarto! Como reclamar de algo com uma vida tão generosa?!

E hoje acordei cedinho pra vir pra Dorset curtir uma super paparicação da sogra e feriado em família no English Countryside 🙂

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3 respostas em “Home sweet home!

  1. Oi Gabi! Tudo bem?
    Sempre acompanho seus posts por aqui e tb no insta. E faltando menos de um mês para minha chegada em Londres, me peguei lendo esse post novamente sobre alugar um quarto e fiquei com algumas dúvidas. Posso te mandar um email? De todas as ansiedades e “preocupações” que passam pela cabeça nesse momento de mudança, essa de alugar um quarto acho que é a maior delas….rsrsrs..
    Beijos.

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    • Oi Patricia! Pode mandar sim!!! Procurar ape/quarto é um baita pesadelo, então temo confirmar que tuas preocupações são 100% justificadas! 😂
      Mas… all’s well that ends well! Faz parte da experiência londrina. Uma hora a gente acha um canto pra chamar de seu.
      Beijos

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