Nada é difícil

Sabe aquela sensação de que a vida engoliu a gente? Hahaha nas últimas semanas aconteceu tanta, mas tanta coisa, que não sei nem por onde começar a contar aqui no blog!

Amsterdam, depois uns dias em Dorset e Devon, depois o começo no hospital novo, a primeira saraivada de plantões diurnos seguida imediatamente por um fim de semana prolongado na Bavária, seguido imediatamente por uma saraivada de plantões noturnos, seguido imediatamente por um fim de semana prolongado na Itália, seguida imediatamente por -UFA!- uns dias de paz e amor (e dolce far niente) com o Alex em Stratford-upon-Avon :)))

Então sábado à noite cheguei em casa “de vez” e pela primeira vez em quase 20 dias, dei aquela reorganizada geral no quarto que tava parecendo o que restou depois de um terremoto nível 7 na escala Richter, e reabastecer a (minha parte da) geladeira, que tava fazendo eco, hahahah…

AMEI essa correria!!! E agora tenho dois meses direto na Inglaterra pra seguir com a minha rotininha. Sabe como tem gente que sonha em passar uns anos viajando direto, dando a volta ao mundo, pulando de galho em galho a cada semana ou mês? Eu não sou dessas! Curto uma correria arruma-desarruma-arruma mala de novo de vez em quando mas também adoro voltar pra casa! Ter a minha rotina, as minhas coisas, um pouco mais de estabilidade, e ir alternando com viagens aqui e ali. Como diz o Alex, eu quero sempre o melhor dos dois mundos, “ter o bolo e comê-lo” como dizem aqui (se vc come o bolo, vc deixa de tê-lo, certo?!).

Voltei com ânimo novo pra começar a estudar eco direitinho, comprei um livro e to começando os planos pra fazer a prova de certificação em dezembro.
Eu andava ficando meio ansiosa com tanta gente de todos os lados me perguntando se eu vou ficar aqui pra sempre, se eu vou voltar pro Brasil, qual vai ser meu próximo passo. Oras, se saber meu próximo passo 3 meses depois de acabar a residência fosse uma grande prioridade na minha vida, eu teria ficado em Floripa né?! Ai sim eu saberia qual o próximo passo. Saberia os 25 próximos passos, inclusive.

Mas aí semana passada, na Itália, conversando com um dos staffs, tive um momento eureka: não preciso entrar na nóia dos trainees ingleses de me envolver em 8263 atividades, ensino, pesquisa, gerenciamento e o escambau pra “brush up my CV”, muito menos decidir HOJE se vou voltar pro Brasil ou quando, e se for ficar aqui, se vai ser pra sempre. Vim aqui com UM grande objetivo profissional, que é aprender ecocardiografia perioperatória e obter a certificação européia. E ponto final. Todo o resto é resto no momento. Quando chegar a hora de pensar no resto, eu pensarei. Atravessaremos essa ponte quando chegarmos a ela.

E isso me deu a maior paz no coração! Tenho todo o direito de bask in the sun of a dream come true, pelo menos por uns 6 meses né?! Passei tanto tempo querendo e colocando todas as minhas energias nesse plano, não acho legal chegar aqui e arranjar uma próxima montanha pra escalar imediatamente. Então é isso, quando a gente estabelece prioridades tudo fica mais fácil de levar.

O título do post é porque a leva de fellows que chegou antes de mim, em setembro do ano passado, vai fazer a prova de certificação semana que vem. Ontem, tive que fazer um “plantão surpresa” e ficar das 07:30 às 20:30 na UTI C porque a colhega responsável pela UTI C estava com enxaqueca. Quem veio me render à noite foi a Dominique, uma fellow belga que é excelente anestesista, tem um filhinho de 2 anos e meio, passou os últimos 10 meses se virando nos 30 pra levar e buscar o filho na creche porque o marido dela faz doutorado em Oxford então passa boa parte da semana por lá, vivem viajando pra Bélgica ou recebendo visitas, e ela faz tudo isso de boa, sem reclamar, sem neuras. E tá grávida, mas ninguém nem nota, porque ela continua fazendo o que sempre fez! Aí hoje cedo encontrei a Bee, a fellow Suíça, e quando comentei que tinha encontrado a Dominique ontem e que ela tinha me contado rindo que tava dando aquela correria pra estudar de última hora pra prova, a Bee disse: “e ela disse que tá difícil?”. “Não, me contou rindo”. “Nada é difícil pra Dominique!”.

E acho que aí é que tá a chave da questão: acho o máximo como a Dominique faz o que tem que ser feito, sem drama, bem prática, sabe perdoar a si mesma quando as coisas não saem como deveriam, não chega de manhã cedo já reclamando que tá exausta de fazer x y e z. E realmente, acho que reclamar é contagioso, tira ainda mais a energia da gente… Como já disse em outro post, to tentando ser mais assim e já noto diferença do ano passado pra cá.

A vida é a gente quem faz, né?! Então bora fazer o que tem que ser feito, sem mimimi, que ai tudo flui melhor! Boa semana!!!

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