Auto-suficiência belezística

Olha, me considero bem vaidosa. Gosto de me cuidar e principalmente gosto de me orgulhar do que vejo no espelho. Como na adolescência tive muita acne, desde uns 12 anos adoro limpadores (nunca deixo de limpar bem a pele desde aquela época, porque eles faziam muuuito diferença!), cremes de tratamento e uso protetor solar todo dia há muitos, muitos anos. Mesmo durante a residência fiz tudo que podia pra cuidar bem da minha pele e agora que sobra um pouquinho mai$, dermocosméticos são definitivamente meu maior “investimento” de beleza!


 Mas nunca fui de gastar rios de dinheiro com beleza, e especialmente nunca fui de passar horas em salão! Fazer a unha na manicure era uma coisa meio esporádica, que eu fazia quando queria me dar um agrado ou tinha alguma ocasião especial, já que meu orçamento sempre teve outras prioridades.

Em 2009, por algum motivo que nem sei, descobri vídeos de maquiagem no YouTube e passei por uma febre master de aprender maquiagem, depois aprendi a fazer minha própria unha, e nos últimos anos morando no Brasil, além de o fato do salão que eu mais adorava em Floripa ter ficado obscenamente caro, eu sabia que aqui no UK seria ainda mais e achei uma ótima oportunidade de economizar e ao mesmo tempo aprender a me depilar sozinha também.

E posso falar? Tenho o maior orgulho!!! Independência é uma coisa que sempre me deu o maior prazer, então nos últimos casamentos e formaturas que fui, fiz minha própria maquiagem e cabelo. Adoro! Mesmo que não fique perfeito, fico com aquele sentimento smug de tipo: “olha só! Não paguei NADA por isso gentem! E ainda fiz em casa bebendo um vinhozinho gelado e ouvindo música boa!” hahahahah

Isso tudo fez com que a mudança pra cá fosse super tranquila nesse sentido. Simplesmente nada mudou! Quer dizer, mudou sim: aqui tenho acesso a produtos muito melhores, por preços muito menores! Ou seja, como fiz a transição pra independência belezística ainda no Brasil, o que tinha potencial pra ser uma desvantagem na mudança acabou virando um upgrade!

Como tenho banheira em casa, adotei a técnica da Dri Miller de fazer um mini-spa caseiro semanal: exfoliação e hidratação da pele do rosto e do corpo, máscara regeneradora no cabelo, depilação e unhas. As vezes deixo a unha da mão de lado porque não posso pintar quando estou trabalhando, então tiro e hidrato as cutículas e fica por isso mesmo.

Hoje tá um domingão cinza e chuvoso aqui, ideal pra uma auto-paparicação, então comprei um “muscle soak” baratinho pra fazer espuma e agregar status ao meu banho de banheira e fui fundo!

O objetivo original desse post era só falar sobre O MELHOR ESFOLIANTE CORPORAL DO MUNDO, o Ultimate Salt Scrub da Sanctuary Spa.

Esse da esquerda foi uma tentativa frustrada. Não vejo diferença nenhuma, daí ta abandonado no meu chuveiro e só uso lá de vez em quando! Já o da direita é o MILAGRE em um potinho!

 

PRECISO de um bom esfoliante, porque tudo que eu tenho de caprichosa com a pele do rosto, tenho de preguiçosa com a pele do corpo. Só lembro de passar hidratante se estiver prestes a decretar calamidade pública! Então esse negocio me salva: eu sempre saio do banho com pele de bebê, não importa se antes de entrar ela tava assim:

Ele é uma mistura de sal do Mar Morto com óleo de coco, jojoba e amêndoas. Você massageia na pele seca e entra na banheira. Enquanto você faz as outras funções, o sal vai se soltando e a pele vai absorvendo os óleos todos. Não precisa nem passar hidratante depois do banho, porque os óleos ficam agindo até horas depois. Pra completar a experiência, tem um cheirinho maravilhoso que fica não só na pele, mas no banheiro todo!
E o segundo objetivo do post era filosofar hehehe enquanto relaxava na banheira, fiquei pensando no quanto fez diferença eu ter passado tanto tempo focando minhas energias e esforços no sonho de vir pra cá. Claro que na época eu não conseguia ver esse lado, queria ter vindo antes e tal. Hoje vejo que absolutamente tudo que aconteceu tornou minha experiência melhor: tive sorte de o Alex ter conseguido mudar pro Brasil, ele acabou se encontrando na profissão dele, aprendendo sobre a minha cultura e convivendo com a minha família, tive 3 anos maravilhosos na residência com um Mestre que nunca vou esquecer e não trocaria de jeito nenhum o meu padrão de experiência profissional até hoje por uma vaga de residência no UK, fiz amigos que trago comigo pra sempre! Não sei o que vai acontecer no futuro, mas hoje não trocaria meu passado por nada, nem pra vir morar aqui antes! Na época tinha plena consciência de só estar lá porque não podia estar aqui, mas agora vejo quão mais eu valorizo e agradeço pelo sonho realizado. Enfim, enquanto tudo isso acontecia, seguia os blogs de várias brasileiras morando aqui, o que significa que fui entendendo desde cedo quais eram as diferenças mais gritantes pra alguém de cultura brasileira se mudando pra cá. Sei que essa coisa do salão, manicure, depilação profissional etc etc é superficial, mas tô usando aqui como uma metáfora para o todo, sabe?! Tenho muito claro pra mim que o tamanho da minha felicidade agora vem do fato de que minhas expectativas sobre morar no exterior eram muito bem-ajustadas e realistas!

 

Relaxando à la Shakespeare

Não abandonei o blog de vez não! Como boa perfeccionista procrastinadora que sou, depois de perder o fio da meada já não sabia mais se contava o que tá acontecendo agora ou se contava em ordem cronológica tudo que aconteceu desde o último post!

Pois bem: vou escrever no celular mesmo, rapidinho, como foi essa última semana, que todas as fotos estão aqui e não tenho desculpa pra enrolar, hehehehe.

Já que não consigo parar quieta mais do que 12h em Londres e não tínhamos nenhuma viagem planejada pra essa minha semana de folga pós-plantões, resolvi vir pra Stratford-upon-Avon passar a semana inteira com o Alex. Shakespeare também dava umas fugidas de Londres pra descansar aqui, heheheh. Como o Alex tem a tese pra escrever, eu não podia planejar mil coisas e esse, pra mim, é o melhor jeito de relaxar sem culpa: sendo “obrigada”. Eu sou mesmo uma ansiosa confessa e volta e meia rola um FOMO (fear of missing out) – nome que inventaram praquela velha sensação de “puts mas esse dia lindo, eu to de folga e to em casa fazendo nada?!”, ainda mais em Londres onde SEMPRE tem milhares de coisas legais pra fazer.

Então adorei!!! Trouxe um monte de coisa pra ler, botei o sono em dia, tomei um mega banho de beleza, enfim… Relaxei mesmo!

Fomos caminhar/correr ao longo do Stratford canal, às vezes no fim da tarde, às vezes de manhã cedo, bem agradável. O Alex tá numa rotina bem legal de fazer exercícios todo dia, porque se não for assim as vezes ele nem sai de casa, então entrei na onda e percebi o quanto to sentindo falta. Apesar de caminhar 35 minutos pro trabalho e de volta, não é a mesma coisa. Coincidiu com isso o post da Helô sobre como ela e o marido incorporaram a corrida na vida diária, então vou estabelecer uma frequência mínima e voltar a correr aos pouquinhos. Comprei um livro da Runner’s World pra iniciantes e descobri que meu erro foi sempre o mesmo nas outras tentativas: os “terrible too’s”: too much, too fast, too soon. Como sempre fui uma pessoa razoavelmente atlética (haha), o meu condicionamento cardiorrespiratório não é dos piores, então enquanto meus pulmões aguentavam, eu ia progredindo. Só que os músculos logo arriavam e eu juntava uma listinha de dores digna da terceira idade: dor no joelho, dor na perna, dor no quadril. Então vamos ver se dessa vez eu controlo a ambição e ansiedade e vou mais devagar, hehehehe.


(Como eu consegui essa silhueta bizarra nessa foto eu não sei)

Na quarta, encontrei ele no centrinho da cidade no fim do dia e fomos experimentar um restaurante tailandês super bonitinho chamado Giggling Squid. Como sou a louca do Thai Green Curry, não poderia ter sido outra coisa!


  
  Depois fomos tomar um drink num pub bem legal na beira do rio, The Lazy Cow. Adorei o lugar, uma vibe meio pub inglês meets trendy bar, sabe como?


  
Depois ainda achamos um monumento com 4 dos personagens mais famosos das peças de Shakespeare e obviamente paramos pra tirar umas fotos, hehehe



E quando estávamos quase chegando em casa, as 22:45, vimos uma das minhas horas preferidas do dia: a blue hour. Sabe quando o céu fica aquele degradé de azul, quando o sol já se pôs mas o horizonte ainda tá claro o suficiente pra iluminar todo o céu?! Eu AMO essa hora, e uma das coisas que eu mais to adorando no verão inglês é que como anoitece mais tarde, essa luz as vezes dura mais de uma hora!!


Quinta pedimos um takeaway indiano e ficamos de boa assistindo MasterChef, uma dessas competições de culinária na TV, e sexta eu fiz o meu prato preferido: risoto de camarão com limão siciliano. Sou praticamente uma cozinheira de um prato só, mas puts, eu amo tanto esse negocio e é tão fácil de fazer que não me canso jamais! Hahahah


E sábado, a Linda (irmã do Alex) e o Ben vieram pra cá pra passarmos um fim de semana super inglês: teatro, Sunday roast e a final de Wimbledon. Fomos dar uma voltinha no centro da cidade e resolvemos alugar um barco pra remar: GENTE QUE LEGAL! Hahaha adorei!! Nunca tinha remado na vida, conheço um monte de gente que fazia remo e agora entendo o porquê: além de ser super divertido, ainda trabalha muito os músculos do tronco e dos braços! Muito legal mesmo. Ai nos revezamos pra todo mundo remar um pouquinho:


  
  
  

Depois fomos assistir O Mercante de Veneza na Royal Shakespeare Company. Ainda tenho que contar da minha primeira experiência lá, vendo Otelo mês passado, mas olha: o nível das produções é fenomenal!


Muito impressionante mesmo. Cada vez que assisto uma peça eu fico mais impressionada com o entendimento de Shakespeare sobre a natureza humana. Ao longo dos anos o Alex já me mostrou vários trechos de peças e poemas que sempre me impressionaram, mas no meio das duas peças, me peguei pensando como ele devia ser sábio… O Mercante de Veneza me impressionou mais ainda, porque o conflito central da peça é entre Antônio, o mercante, e Shylock, um judeu que sofria todo tipo de abuso da sociedade na época e que era muito criticado pelos cristãos por praticar a usura, que é cobrar juros sobre dinheiro emprestado. Um dos grandes estudiosos de Shakespeare bem falou que, por causa do holocausto, nunca vamos conseguir ver a peça pelo que ela representava na época, mas anti-semitismo infelizmente sempre existiu no mundo e passei a peça toda com um nó na garganta de imaginar que isso tudo de fato acontecia e continua acontecendo no mundo. Fiquei muito impressionada com a consciência e critica social de Shakespeare, com o conhecimento sobre o que estava acontecendo tão longe dele (vale lembrar que em Veneza é que se originou o termo gueto, o lugar onde os judeus eram isolados do resto da população). O Alex me disse que a população judaica em Londres na época era bem pequena, de umas 200 pessoas só… Enfim, da muito pano pra manga e muita coisa pra pensar, mas no fim das contas o que me marca mais que tudo é como Shakespeare era realmente extraordinário e como a educação dele abriu as portas do mundo – a escola dele era bem rigorosa e toda em latim, o que fez com que ele pudesse saber o que se passava no mundo por livros em francês, espanhol e italiano, o que era uma exceção entre os seus pares.

E ontem ficamos de boa em casa, o Alex fez um super almoço de domingo inglês pra gente e assistimos a final de Wimbledon. Adoro o Djokovic!!! Fiquei super feliz com a vitória dele. Gosto do Federer, mas acho ele meio arrogante… Arrogância é menos ofensiva quando a pessoa realmente é um fenômeno, mas mesmo assim, acho que ele podia ser um pouquinho mais humilde!



E por fim quero registrar meu amor profundo pelas leis trabalhistas do UK: a gente pode tirar nossos dias de férias como a gente quiser, então ninguém tira todos de uma vez. Pedi um dia de férias pra hoje porque queria assistir a final e curtir o domingo numa boa sem ter que pensar em arrumar mala, chegar em casa domingão as 10 da noite pra encontrar uma geladeira vazia e ter que ir trabalhar as 7 da manhã no dia seguinte, etc. Então aqui estou, no trem a caminho de casa, tomei um bom café da manhã com o Alex, vou chegar em casa antes das 3 da tarde, com bastante tempo pra desarrumar a mala, estocar a geladeira e me organizar pra começar a semana com o pé direito 😍