Relaxando à la Shakespeare

Não abandonei o blog de vez não! Como boa perfeccionista procrastinadora que sou, depois de perder o fio da meada já não sabia mais se contava o que tá acontecendo agora ou se contava em ordem cronológica tudo que aconteceu desde o último post!

Pois bem: vou escrever no celular mesmo, rapidinho, como foi essa última semana, que todas as fotos estão aqui e não tenho desculpa pra enrolar, hehehehe.

Já que não consigo parar quieta mais do que 12h em Londres e não tínhamos nenhuma viagem planejada pra essa minha semana de folga pós-plantões, resolvi vir pra Stratford-upon-Avon passar a semana inteira com o Alex. Shakespeare também dava umas fugidas de Londres pra descansar aqui, heheheh. Como o Alex tem a tese pra escrever, eu não podia planejar mil coisas e esse, pra mim, é o melhor jeito de relaxar sem culpa: sendo “obrigada”. Eu sou mesmo uma ansiosa confessa e volta e meia rola um FOMO (fear of missing out) – nome que inventaram praquela velha sensação de “puts mas esse dia lindo, eu to de folga e to em casa fazendo nada?!”, ainda mais em Londres onde SEMPRE tem milhares de coisas legais pra fazer.

Então adorei!!! Trouxe um monte de coisa pra ler, botei o sono em dia, tomei um mega banho de beleza, enfim… Relaxei mesmo!

Fomos caminhar/correr ao longo do Stratford canal, às vezes no fim da tarde, às vezes de manhã cedo, bem agradável. O Alex tá numa rotina bem legal de fazer exercícios todo dia, porque se não for assim as vezes ele nem sai de casa, então entrei na onda e percebi o quanto to sentindo falta. Apesar de caminhar 35 minutos pro trabalho e de volta, não é a mesma coisa. Coincidiu com isso o post da Helô sobre como ela e o marido incorporaram a corrida na vida diária, então vou estabelecer uma frequência mínima e voltar a correr aos pouquinhos. Comprei um livro da Runner’s World pra iniciantes e descobri que meu erro foi sempre o mesmo nas outras tentativas: os “terrible too’s”: too much, too fast, too soon. Como sempre fui uma pessoa razoavelmente atlética (haha), o meu condicionamento cardiorrespiratório não é dos piores, então enquanto meus pulmões aguentavam, eu ia progredindo. Só que os músculos logo arriavam e eu juntava uma listinha de dores digna da terceira idade: dor no joelho, dor na perna, dor no quadril. Então vamos ver se dessa vez eu controlo a ambição e ansiedade e vou mais devagar, hehehehe.


(Como eu consegui essa silhueta bizarra nessa foto eu não sei)

Na quarta, encontrei ele no centrinho da cidade no fim do dia e fomos experimentar um restaurante tailandês super bonitinho chamado Giggling Squid. Como sou a louca do Thai Green Curry, não poderia ter sido outra coisa!


  
  Depois fomos tomar um drink num pub bem legal na beira do rio, The Lazy Cow. Adorei o lugar, uma vibe meio pub inglês meets trendy bar, sabe como?


  
Depois ainda achamos um monumento com 4 dos personagens mais famosos das peças de Shakespeare e obviamente paramos pra tirar umas fotos, hehehe



E quando estávamos quase chegando em casa, as 22:45, vimos uma das minhas horas preferidas do dia: a blue hour. Sabe quando o céu fica aquele degradé de azul, quando o sol já se pôs mas o horizonte ainda tá claro o suficiente pra iluminar todo o céu?! Eu AMO essa hora, e uma das coisas que eu mais to adorando no verão inglês é que como anoitece mais tarde, essa luz as vezes dura mais de uma hora!!


Quinta pedimos um takeaway indiano e ficamos de boa assistindo MasterChef, uma dessas competições de culinária na TV, e sexta eu fiz o meu prato preferido: risoto de camarão com limão siciliano. Sou praticamente uma cozinheira de um prato só, mas puts, eu amo tanto esse negocio e é tão fácil de fazer que não me canso jamais! Hahahah


E sábado, a Linda (irmã do Alex) e o Ben vieram pra cá pra passarmos um fim de semana super inglês: teatro, Sunday roast e a final de Wimbledon. Fomos dar uma voltinha no centro da cidade e resolvemos alugar um barco pra remar: GENTE QUE LEGAL! Hahaha adorei!! Nunca tinha remado na vida, conheço um monte de gente que fazia remo e agora entendo o porquê: além de ser super divertido, ainda trabalha muito os músculos do tronco e dos braços! Muito legal mesmo. Ai nos revezamos pra todo mundo remar um pouquinho:


  
  
  

Depois fomos assistir O Mercante de Veneza na Royal Shakespeare Company. Ainda tenho que contar da minha primeira experiência lá, vendo Otelo mês passado, mas olha: o nível das produções é fenomenal!


Muito impressionante mesmo. Cada vez que assisto uma peça eu fico mais impressionada com o entendimento de Shakespeare sobre a natureza humana. Ao longo dos anos o Alex já me mostrou vários trechos de peças e poemas que sempre me impressionaram, mas no meio das duas peças, me peguei pensando como ele devia ser sábio… O Mercante de Veneza me impressionou mais ainda, porque o conflito central da peça é entre Antônio, o mercante, e Shylock, um judeu que sofria todo tipo de abuso da sociedade na época e que era muito criticado pelos cristãos por praticar a usura, que é cobrar juros sobre dinheiro emprestado. Um dos grandes estudiosos de Shakespeare bem falou que, por causa do holocausto, nunca vamos conseguir ver a peça pelo que ela representava na época, mas anti-semitismo infelizmente sempre existiu no mundo e passei a peça toda com um nó na garganta de imaginar que isso tudo de fato acontecia e continua acontecendo no mundo. Fiquei muito impressionada com a consciência e critica social de Shakespeare, com o conhecimento sobre o que estava acontecendo tão longe dele (vale lembrar que em Veneza é que se originou o termo gueto, o lugar onde os judeus eram isolados do resto da população). O Alex me disse que a população judaica em Londres na época era bem pequena, de umas 200 pessoas só… Enfim, da muito pano pra manga e muita coisa pra pensar, mas no fim das contas o que me marca mais que tudo é como Shakespeare era realmente extraordinário e como a educação dele abriu as portas do mundo – a escola dele era bem rigorosa e toda em latim, o que fez com que ele pudesse saber o que se passava no mundo por livros em francês, espanhol e italiano, o que era uma exceção entre os seus pares.

E ontem ficamos de boa em casa, o Alex fez um super almoço de domingo inglês pra gente e assistimos a final de Wimbledon. Adoro o Djokovic!!! Fiquei super feliz com a vitória dele. Gosto do Federer, mas acho ele meio arrogante… Arrogância é menos ofensiva quando a pessoa realmente é um fenômeno, mas mesmo assim, acho que ele podia ser um pouquinho mais humilde!



E por fim quero registrar meu amor profundo pelas leis trabalhistas do UK: a gente pode tirar nossos dias de férias como a gente quiser, então ninguém tira todos de uma vez. Pedi um dia de férias pra hoje porque queria assistir a final e curtir o domingo numa boa sem ter que pensar em arrumar mala, chegar em casa domingão as 10 da noite pra encontrar uma geladeira vazia e ter que ir trabalhar as 7 da manhã no dia seguinte, etc. Então aqui estou, no trem a caminho de casa, tomei um bom café da manhã com o Alex, vou chegar em casa antes das 3 da tarde, com bastante tempo pra desarrumar a mala, estocar a geladeira e me organizar pra começar a semana com o pé direito 😍

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2 respostas em “Relaxando à la Shakespeare

  1. Gabi! Que saudades de vocês! Fico feliz que estejam aproveitando bastante =) Mande um abração pro Alex! O Léo começou a trabalhar aqui essa semana, em um prédio na frente da Estação de Waterloo (super pertinho pra nós), está gostando muito. Enfim, Londres é demais! Se cuidem, super beijos Helena

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    • Helena!! Saudade mesmo!! Que bom que o Léo tá gostando do trabalho novo! Temos que combinar alguma coisa pelo Southbank Centre então, esse fim de semana já temos várias coisas marcadas, mas daqui a 2 semanas o Alex vem de novo dai marcamos :))) beijão

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