Viralizando!

Uns dias antes do Natal, quando coloquei o ponto final no longo texto que escrevi, de férias num vilarejo no interior da Inglaterra, de vez em quando levantando a cabeça com o olhar perdido, pensando em todas as grandes escolhas que fiz até hoje nos meus 28 anos de vida, jamais me passou pela cabeça o tamanho da repercussão que aquelas palavras iriam causar.

A Luiza publicou o texto no Formei, e agora? na quarta-feira passada, no meio da tarde. Só que quinta-feira eu tinha uma apresentação importante no trabalho, a primeira palestra de um evento, sobre um assunto que eu adoro mas é super desafiador, e como boa procrastinadora que sou, ainda tinha a apresentação em ppt pra finalizar e a palestra em si pra ensaiar. Postei a publicação no Instagram, desliguei o celular e mergulhei de cabeça no planejamento.

Qual foi minha surpresa, algumas horas depois ao ligar meu celular de novo, ao receber várias mensagens de amigos no WhatsApp, inclusive os que não tem Instagram e portanto não poderiam ter ficado sabendo do post através de mim! Vários amigos, familiares e conhecidos que leram o texto “porque fulano compartilhou no Facebook”.

Formei_Facebook

Nessa hora, a curiosidade matou o gato e pedi o login da minha mãe (haha!) pra ver as postagens, compartilhamentos e comentários. Fiquei super, super feliz com a onda de energia positiva que comecei a receber quase incessantemente: mensagens no insta, amigos no whats, emails atraves do blog, de pessoas dizendo que de alguma maneira se identificaram com as minhas palavras e se sentiram inspiradas a seguir os próprios sonhos. Amigos do coração dizendo que se emocionaram lendo a minha história e entenderam melhor as próprias decisões. Professores e amigos de infância compartilhando no Facebook. Gente me dizendo que tem um sonho há tempos, que tinha colocado em standby e resolveu voltar a pesquisar. Gente no meio da faculdade, falando que se sente assim e também nunca imaginou que os colegas podiam estar passando pelas mesmas angústias.

Tenho uma relação meio conturbada com a internet, fisoloficamente, que um dia explico melhor num post separado, mas um fato irrefutável é que ela é um instrumento incrivelmente poderoso de conexão humana. Eu passei anos me alimentando de inspiração através de brasileiros que tinham realizado seus próprios sonhos de morar no exterior, então acho sensacional de repente me ver do outro lado da moeda, de certa forma dando continuidade a esse ciclo e (espero) mostrando pra alguém que com paciência, perseverança e foco, a gente chega lá. E acho ainda que inspiração é uma coisa só, não é porque o seu sonho é outro que a inspiração não te serve – sigo uma guria que após a morte do pai, resolveu arrumar a única coisa que não gostava na sua vida e levar a sério a relação com o próprio corpo, assim como uma outra colega de faculdade que superou a si mesma através do triatlon. Não almejo um percentual de gordura corporal de 10% e nem pretendo fazer triatlon, mas a mensagem que eu levo, e o que eu enxergo nessas pessoas é sempre um mesmo tema: disciplina, trabalho árduo, força de vontade, independência de ir atrás do que se quer e mudar uma realidade que incomoda. Não concordo com ostentação por ostentação em redes sociais e, apesar de saber que às vezes é difícil resistir a postar um negócio banal que não acrescenta nada a ninguém, procuro no mínimo me policiar pra postar inspiração, informação, positividade e beleza (beleza no sentido geral – como boa amante de fotografia, passo meus dias procurando ângulos e composições que mostrem a beleza no meu dia a dia, desde um punhado de grãos de feijão até uma reflexão em poça d’água e assim por diante). Então aos pouquinhos tenho feito as pazes com a internet e achado um equilíbrio dentro daquilo que acredito.

Nos dias que se seguiram, o ritmo dos compartilhamentos no Facebook tomou uma nova dimensão completamente surreal: minhas palavras alcançaram mais duas grandes audiências, o Meus Nervos, do colega anestesista Solon Maia, e a maior comunidade médica no Facebook, o Dignidade Médica.

Logicamente, surgiram uns poucos comentários negativos, que achei até engraçados. Acredito muito que “o que Pedro fala sobre Paulo revela mais sobre Pedro do que sobre Paulo”. Então achei interessante, especialmente do meu ponto de vista de voyeur, sem ter Facebook, ver discussões se desenrolando sobre a minha vida e as minhas escolhas. “Ela só mudou de endereço”, “ela revolucionou a própria vida sendo… certinha?”, “ela não mencionou família, namorado, filhos, então deve ter aberto mão de tudo isso”, “ela só fez isso porque tem dinheiro” e até mesmo “ela continua falando só de medicina do começo ao fim do texto”(?!). Quem entendeu a minha lógica deve ter percebido que eu nunca, jamais pretendi escrever um texto para médicos. Aliás, achei que pouquíssimos médicos frequentariam a página do Formei! Achei que estava escrevendo minha história para jovens graduandos de todas as áreas, sofrendo com dúvidas sobre as suas escolhas e incertezas sobre o futuro, exatamente como eu tinha e continuo tendo. Essa é a dimensão do quanto eu achava que estava sozinha na minha área. E do quanto eu subestimei o alcance do post.

As pessoas interpretam cada uma à sua maneira, e felizmente, a imensa maioria entendeu que o que eu tiro disso tudo é muito simples – e principalmente, é universal a qualquer profissão, quiçá a qualquer área da vida:

  • quando a gente se dá conta que está insatisfeito com uma situação, é responsabilidade nossa (e só nossa) buscar uma mudança;
  • mudança nenhuma acontece se a gente não tornar aquilo uma prioridade;
  • nossos planos raramente se desenrolam no tempo e da maneira que a gente quer – por isso a gente tem que ser flexível e ajustar as expectativas, ter paciência porque pode levar mais tempo do que imaginamos, etc;
  • ter dúvidas sobre as nossas escolhas é normal!!!
  • e principalmente: que as escolhas que fizemos no passado, quando éramos “outra pessoa” e tínhamos outras prioridades, jamais vão nos prender no futuro (a não ser que tenha sido um crime, hahaha), e que sempre, sempre tem jeito de recalcular a nossa rota na vida. Exige paciência, foco, criatividade pra ver uma saída? Exige. Exige coragem pra trocar o certo pelo incerto? Exige. A vida tá cheia de exemplos de gente que descobriu que o seu plano inicial não era viável e se realizou em outra área, que mudou de profissão e tá trilhando um caminho jamais imaginado no Brasil, enfim… O que não vale é a gente se comportar como prisioneiro de desenho animado, com uma bola de ferro acorrentada ao calcanhar.

Enfim, cada vez que a Luiza me conta uma nova estatística, fico mais boquiaberta! Só através dessas 3 grandes audiências, foram:

  • 3x o tráfego mensal do Formei em 24h
  • mais de 1100 likes, 200 compartilhamentos e 100 comentários
  • mais de 100 mil visitas ao link do texto em menos de uma semana!!!

Não sou desse meio internético então não tenho muita noção do quão comum e corriqueiro isso é, mas pra mim, é absolutamente fantástico imaginar que minhas palavras, que vieram de dentro da minha cabeça numa tarde cinzenta e preguiçosa de inverno, tiveram um alcance tão grande. Hahahaha 🙂

Quero aproveitar e agradecer imensamente a quem dedicou o seu tempo a me escrever!!! Vou responder todos os emails que recebi, mas peço a paciência de vocês porque foram vários. Pouco a pouco, eu chego lá! Já pensei em escrever um post sobre a medicina no Reino Unido, mas como meu próprio texto deixa claro, quero muito evitar que essa esfera da minha vida seja dominada pela minha profissão também. Talvez eu acabe fazendo pra facilitar minha própria vida, já que desde antes do texto eu já recebia perguntas frequentes sobre isso, mas por enquanto, continuamos com a nossa programação normal de querido diário, filosofias de boteco, viagens e grandes marcos na minha humilde existência!

 

 

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3 respostas em “Viralizando!

  1. Gabi adorei o texto. Li seu post antes de dormir e não tive forças pra comentar. Sendo uma pessoa que também expõe suas opiniões, te digo que também recebo muitos comentários desse tipo. É aquela máxima de que se você se expõe…pode ser exposto! Que horror! No entanto, infelizmente, existe muitas pessoas infelizes que buscam a sua felicidade tentando destruir a dos outros. O negócio é keep moving forward and don’t look back! Continua postando esses teus posts super filosóficos e cheios de experiências, com esse olhar super crítico, que eu super adoro! Beijaão

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  2. Pingback: The voiceover | Gabi em Londres

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