Amsterdam

Como falei no post anterior, a época das tulipas tá me dando uma nostalgia mór da nossa viagem a Amsterdam, então resolvi escrever mais um post pra registrar aqui o quanto a gente amou essa cidade!

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Pra começar que, enquanto eu fui direto nos guias e blogs de viagem (alô Ducs!), o Alex comprou um livro super interessante sobre a história de Amsterdam, então ele acabou aprendendo um monte de coisa interessante que os guias não contam, e eu aprendi junto.

Bom, o nome da cidade deriva de Amsterlredamme, que significa literalmente represa do Amstel, que é o rio que banha Amsterdam. As pessoas que moravam na região construíram uma ponte e uma represa sobre o rio, e se estabeleceram ali em meados do século 12. Em 1300, Amsterdam já tinha o título de cidade, e de 1400 a 1700, cresceu exponencialmente como parte da Liga Hanseática – alguém mais lembra de ter ouvido esse nome no colégio?! Eu jamais lembraria detalhe nenhum sem a ajuda da Wikipedia, mas certamente lembro inclusive da cara da professora da 8a série falando sobre a tal da liga, porque é na voz dela que essa palavra existe na minha cabeça, hehehe. A Liga Hanseática era uma confederação de associações mercantis que dominou o comércio no Báltico na época das grandes navegações – as associações se organizaram pra proteger interesses econômicos e diplomáticos. As cidades participantes incluíam desde o norte da Bélgica passando pela Holanda e seguindo por toda a costa da Alemanha. O nome ainda existe em vários nomes da região, por exemplo a Lufthansa (luft:aéreo, hansa: liga Hanseática 🙂

Outra coisa que eu não sabia era que a Holanda foi controlada pela Coroa Espanhola por muitos anos, e que no começo do século 16, o povo holandês se revoltou contra os impostos altos e a perseguição de protestantes pela Inquisição Espanhola, e 80 anos de guerra depois, tornaram-se uma república independente.

Tudo isso pra explicar que praticamente desde a sua fundação, Amsterdam é uma cidade mercantil e portuária por excelência, que recusou desde muito cedo a intolerância religiosa.

E o que isso significa? Que Amsterdam era uma cidade de relativa tolerância religiosa e cultural, que acabou atraindo todo tipo de população perseguida no velho continente: judeus Sefarad perseguidos pela inquisição, franceses huguenotes, todo tipo de refugiados econômicos e religiosos, inclusive os próprios católicos, já que com o crescimento do protestantismo o jogo virou e eles é que passaram a ser perseguidos. Teoricamente, era proibido praticar a religião católica, mas os governantes protestantes faziam vista grossa desde os lugares de culto não tivessem cara de igreja. A história religiosa de Amsterdam é incrível, e a cidade chegou até a ser chamada A Jerusalém do Ocidente na época, de tão em casa que os judeus se sentiam ali.

Isso tudo fez com que Amsterdam fosse não só a cidade mais rica, mas também a mais cosmopolita do mundo no século 17! Não me lembro agora dos detalhes, mas o livro pinta uma imagem sensacional de um caldeirão cultural, com produtos exóticos chegando de todas as partes do mundo, uma burguesia culta e interessada em aprender sobre (e negociar com) gente do mundo inteiro.

Aí depois que você aprende tudo isso, não é de se surpreender que Amsterdam tenha essa fama de capital da libertinagem, com maconha pra vender nos cafés e prostitutas pra vender no Distrito da Luz Vermelha. Mas aí é que fica muito mais legal ainda, porque a cidade é muito, muuuito mais do que isso!!!

Sobrevivendo em Amsterdam

Antes de turistar em Amsterdam, é importante permanecer vivo. Sabe como na maioria das cidades a rua é dividida entre carros/ônibus e pedestres? Sabe como as pessoas acham perigoso turistar aqui em Londres porque olham pro lado errado? Então. Em Amsterdam, você olha pra um lado e não vem nada, olha pro outro e não vem nada. De repente se materializa um bonde na tua frente, e logo que ele passa vem um ciclista do lado contrário. Logo depois de você desviar do ciclista, aparece um ônibus de uma direção diagonal do cruzamento que você nem sabia que existia. Então aquela máxima “olhe bem pros dois lados antes de atravessar” não vale aqui, tem que ser “olhe pra absolutamente todos os lados que puder!”. Hahahah quem tiver curiosidade pode ler um post super engraçado escrito por um americano morando em Amsterdam que começa com a seguinte afirmação: “a maneira mais segura de evitar ser atropelado por uma bicicleta é não vir a Amsterdam”. Mas como isso não teria graça nenhuma, o conselho dele é evitar a todo custo pisar em uma faixa de ciclistas sem querer.

É muito legal ver como a bike realmente é um meio de transporte pra eles, andam com a roupa do trabalho, com guarda chuva, falando no telefone, com os filhos pequenos num caixotinho atrás da bike, equilibrando sacola da feira et al. Capacete ninguém nunca nem viu. Mas é tudo muito romântico até um deles gritar algum desaforo porque você entrou no caminho dele sem querer. Então fuja tche!

Turistando em Amsterdam

Como sempre, cada escolha uma renúncia né. Como fiz questão de ir a Lisse pra ver as tulipas, abrimos mão de praticamente um dia inteiro em Amsterdam, então tivemos que ser super seletivos nas nossas escolhas de o que visitar. Sempre vai ter coisa que a gente não vai conseguir ver, e na verdade como nós dois adoramos a cidade, sei que não vamos demorar muito pra voltar!

Centraal Station: Foi a primeira coisa que vimos, porque pegamos o trem (maravilhosamente barato e frequente) do aeroporto até o centro da cidade. Ela foi projetada pelo mesmo arquiteto que idealizou o Rijksmuseum, e realmente dá pra ver a semelhança.

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Museumplein: A praça dos museus é um dos maiores atrativos de Amsterdam. Com tempo limitado, ao invés de ver dois museus correndo, que além de ser caro faz pouco sentido, preferimos escolher entre o Rijksmuseum e o Van Gogh museum. Escolhemos o Rijksmuseum porque ambos preferimos a estética de Rembrandt, Rubens e do século 16-17 em geral, além do fato de que o próprio Rijks tem alguns Van Goghs também, e que a arquitetura do museu é um caso à parte. Maravilhoso, gostei muito mesmo.

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 Canais: Pra mim, o ponto alto de qualquer visita a Amsterdam! Muito legal entender a estrutura da cidade, o U de canais que ajuda na hora de se orientar, as ruelas arborizadas, as casinhas estreitas e tortas, as bicicletas por todos os lados. A impressão que fiquei depois é que Amsterdam deve ficar melhor a cada visita, como diz o Riq Freire, depois de fazer os lerês turísticos, você vai pra flanar, pra viver a cidade, pra sentar numa mesinha externa de restaurante e ver a vida passar. Por isso que achei perfeito ir na primavera, nem tão frio que não dê pra curtir, nem tão calor que a cidade tenha turistas saindo pelo ladrão!

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Rossebuurt, o Distrito da Luz Vermelha: Quando chegamos lá, eu só conseguia pensar uma coisa – Rooooxanne, you don’t have to put on the red light! Olha, poderia descrever como quaisquer ruelas lindas com arquitetura histórica de uma grande cidade européia, cheias de movimento, clima de festa, gente na rua tocando música e tals, exceto que nesse caso adicionamos mulheres vendendo o próprio corpo em vitrines iluminadas de vermelho. Controverso né. É um lugar muito único, você fica dividida, porque ao mesmo tempo que é muito engraçado ver as casas de show oferecendo todo tipo de bizarrice e sexo ao vivo, as sex shops cheias de todo tipo de acessórios, as moças dançando na vitrine, tem uma vibe bem decadente, deprê sabe?! Você vê as gurias na vitrine e fica pensando que apesar de ser uma cidade tão progressiva em vários outros aspectos, o machismo está lá, ao vivo e em cores, com letreiros de neon. Mas ao mesmo tempo, se começar a filosofar muito ali você não vai curtir o passeio! Na verdade são várias áreas, mas a mais famosa é De Wallen, que fica pertinho da Oude Kerk. Todos os milhares de posts sobre o RLD falam, mas não custa repetir que tirar fotos das meninas é estritamente proibido.
Dam Square: É o coração da cidade, uma praça no meio do centro histórico onde ficam o Palácio Real e a Nieuwe Kirk, e onde acontecem celebrações nacionais como o National Memorial Day.

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Oude Kerk: O que eu mais gosto nas igrejas protestantes é a austeridade, a simplicidade do interior, que faz com que a arquitetura da igreja seja sem sobra de dúvidas o centro das atenções. Achamos muito legal que bem do lado da igreja mais tradicional da cidade tenha coffee shops vendendo maconha e prostitutas vendendo sexo. Tolerância, teu nome é Amsterdam!

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Eu gostaria de visitar o Memorial do Holocausto, mais até do que a casa de Anne Frank, mas como na minha opinião definitivamente não são atividades pra fazer com pressa e apertado contra outros 29374 turistas, preferimos deixar pra próxima.

E uma das atrações que eu mais senti de perder é um negócio que eu achei sensacional: uma igreja católica construída no sótão de uma casa, escondida sob a fachada de uma casinha qualquer à beira de um canal, nos idos de 1600 quando foi proibido praticar o catolicismo.  Hoje ela abriga um museu e se chama Our Lord in the Attic (Pai Nosso no Sótão, hahaha)

 

Coffee shop ou café?

Até começarmos a planejar a viagem, eu não sabia o verdadeiro significado dessa distinção – coffee shop é um café que tem autorização pra vender maconha, e café é um café as we know it. Basicamente, o governo holandês resolveu diferenciar drogas “leves” de drogas “pesadas” e passou a emitir autorização legal pra que alguns cafés vendessem maconha. Só entram nas coffee shops pessoas com mais de 18 anos, não é permitido vender álcool, e obviamente outras drogas também não, e não se pode fumar em público, apenas dentro das coffee shops. É muito engraçado pra gente, porque aí você entra no lugar, vai até o caixa e pede pra ver o menu, que obviamente você não entende. Aí você pede um cigarro para iniciantes e um cházinho e é isso. Fuma aqui, toma um chá. Quem lembra? Hahahah

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Só aconselho não comer nada com maconha, porque uns meses depois um amigo foi pra lá e comeu um muffin com maconha. Aí o relato dele é mais ou menos assim:

 E uma outra amiga foi e não foi em nenhuma coffee shop porque né, tava com a mãe e um casal de tios. Mas aí cinco minutos depois ela me contou que eles foram num show de sexo ao vivo no Red Light District (?!!) hahahahah

Comendo em Amsterdam

Na nossa primeira noite, acabamos comendo num restaurantezinho italiano bem simples (e barato) no entorno da praça Leidseplein. Nessa área as ruas são praticamente um restaurante atrás do outro!

Antes de sairmos do hotel, pedimos pro recepcionista indicar restaurantes de comida típica holandesa, e como a recomendação era por ali também, aproveitamos pra fazer a reserva pro dia seguinte.

A recomendação era o The Pantry, que apesar do nome em inglês, tem como foco a comida holandesa e tem toda uma vibe comfort food. Iluminação aconchegante, ambiente caseiro e despretensioso, e funcionários super simpáticos, dispostos a explicar no maior bom humor o que são os pratos no menu e quais são as jóias da casa.

De entrada pedimos bitterballen, uns croquetinhos de queijo de cabra e de carne que parece que saíram diretamente do menu de petiscos de um boteco brasileiro. Depois comemos mais vezes como snack na rua mesmo, tem milhares de barzinhos, pé-sujo ou não, no centro da cidade que vendem croquetes e batata frita, tipo uma versão holendesa do chippy inglês.

Ambos pedimos o stamppot, que nada mais é do que um purê de batata glorificado, hehehe. É um purê misturado com vegetais, aí tem várias opções: as mais comuns são com cenoura e cebola (hutspot, minha opção), com couve (boerenkoolstamppot) ou com chucrute (zuurkoolstamppot). O Alex escolheu a opção do menu que vinha com uma porçãozinha de cada, e aí provamos todos e -pasmem- adorei até o de chucrute! E o stamppot geralmente é servido com uma linguiça defumada ou uma almôndega e um molho bem temperadinho. Não coincidentemente, achei bem parecido com a comida alemã, aquela coisa tipo “sim, estou comendo só batata e linguiça sim, sem salada pra acompanhar, meu prato é uma festa de bege e marrom, and I’m not ashamed of it.” E nem lembro se pedimos sobremesa ou não, acho que pedimos queijos.

Também não me lembro do resto das refeições, em uma das manhãs tomamos um café bem reforçado com direito a waffles, e almoçamos lanches na rua, cachorro quente, bitterballen, o que tivesse por perto.

Fotografando em Amsterdam

A combinação da arquitetura holandesa com os canais e as bicicletas é bombástica, então em qualquer lugar as fotos vão ficar excelentes. Pra quem gosta de fotografia noturna como eu, é de enlouquecer, dá vontade de ficar horas vagando pelos canais e fotografando aleatoriamente. Mas tem uns canais e cruzamentos que são especialmente fotogênicos!

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Os canais externos que formam o U no entorno do centro histórico são Prinsengracht, Kaisersgracht e Herengracht, de fora pra dentro. Todos os três são super pitorescos. Mas teve um cruzamento que eu amei de paixão, acho que era do Keizersgracht com um dos verticais, não sei se Leidsegracht, mas vou ter que ver e voltar aqui pra editar. Meus points fotográficos preferidos tão marcados no mapa do Alex, que eu nem sei se tá no Brasil ou na Inglaterra! É esse aqui embaixo, que se você reparar bem, é exatamente o mesmo da foto lá de cima 🙂 sim, eu volto várias vezes nos lugares mais fotogênicos!

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E esse aqui embaixo acho que era um cruzamento com o Reguliersgracht, provavelmente com o Keizersgracht também. Próxima câmera que eu comprar vai ter geolocalizador!

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Sem falsa modéstia né gente, vamos combinar que essas últimas três ficaram um espetáculo?! Enfim, por enquanto assim já deu pra matar a saudade 🙂

 

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8 respostas em “Amsterdam

  1. Ah, que delícia esse post! Eu tive a chance de ir pra AMS duas vezes visitar amigos e gostei muito da cidade justamente porque ela é mais que sexo, drogas e rock&roll. De fato, suas fotos ficaram lindas – os canais são imperdíveis, não tem como não querer fotografar mil vezes, né?

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  2. Rolaaaaaaaando de rir com o “Roxaaaaaaaaanneeee…” Que agora nao dai da minha cabeca. E pior, na versao pitoresca de Moulin Rouge. Que confesso que amo kkkk!

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    • Hahaha tive que ir pro YouTube pra ver qual era a tal versão Moulin Rouge, não lembrava disso! Po mas confesso que como adoro a original, achei essa um assassinato da música! Hahahaha

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  3. Gabi! Adorei o post! Fotos lindas! Quando fui a Amsterdam dei uma lida antes no blog do Ducs. Também não fui a casa de Anne Frank (era verão e os ingressos estavam esgotados), mas segui a dica do blog do Ducs e fui na casa que ela e a família realmente moraram. Não é aberta a visitação, mas achei bacana ir lá, ver a placa com os nomes em frente ao prédio, a praça com um monumento em sua homenagem, sempre com flores. Fui tomar um café indicado pelo blog em frente a praça e adivinha quem estava lá almoçando com a família? O Ducs. Grande coincidência não? Não sou muito de internet, mas acho demais essa interação através de blogs e como o simples relato da experiência de uma pessoa, ajuda outra a milhas de distância (ou metros também). Abraços!

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    • Oi Mah! Eu que agradeço, pq se não tivesse ido procurar o restaurante talvez nunca tivesse escrito o post! 😍 Gostei de escrever assim “relatando” a viagem, aí posso voltar pra lembrar dos pormenores mais adiante!

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