Good at life

Uns tempos atrás um amigo falou “cara, minha flatmate é daquelas pessoas ‘boas na vida’, sabe? Ela tem a vida toda organizada, sai pra balada no fim de semana, chega mais tarde do que eu e quando eu acordo eu encontro ela na cozinha fazendo um café da manhã saudável depois de correr 8km as 8 da manhã ‘pra espantar a ressaca'”.

A partir daí, adotei o termo! Mas nunca achei que fosse good at life, porque convenhamos, tô sempre na correria e especialmente ano passado foi tão frenético entre trabalho e viagens que se eu tivesse luz e papel higiênico em casa, eu já tava mais do que satisfeita com a minha performance na vida.

E olha, amei aquela loucura!!! Ainda quero registrar um post sobre o ano passado, porque foi o ano mais sensacional da minha vida. Acho que lido super bem com esse caos instalado, lembro que entre maio e junho do ano passado teve umas 6 semanas em que fiz 4 viagens e 2 maratonas de plantão. Obviamente meu quarto ficou um verdadeiro bombsite, tinha sempre uma mala por fazer/desfazer num canto, o cesto de roupa suja bombando, a geladeira fazendo eco e eu sobrevivendo semanas a fio à base de refeições prontas do mercado.


Esse ciclo se repetiu algumas vezes durante o ano, e apesar de fisicamente cansada, eu nunca reclamava porque adoro essa adrenalina, essa empolgação de estar sempre cheia de coisas pra fazer, principalmente se uma delas for viagem.

Mas guardadas as devidas proporções (que tipo de gente sai correr pra espantar a ressaca?! Se eu sair correr de ressaca capaz de ter arritmias malignas!), nas últimas semanas eu tenho percebido ao vivo e a cores o poder de uma vida organizada. Com as escolhas profissionais que eu fiz, a rotina é não ter rotina, e acho que por isso mesmo, sempre amei e valorizei longos períodos fazendo mais ou menos a mesma coisa. Amo rituais, tradições e rotinas!

Desde que voltei do Brasil em março, tenho tentado cuidar melhor da minha rotina. Esse ano tem sido bem mais pacato do que 2015, quase sem viagens planejadas, por conta de algumas indefinições na minha vida pessoal e profissional. Então tô dormindo mais cedo, acordando mais cedo, me exercitando com muuuito mais regularidade e comendo mais saudável. Se eu não levo nada pro trabalho, as opções lá são sanduíches que nem bons são ou umas comidas quentes super cheias de fritura, então tô levando meu almoço praticamente todos os dias, preparo na noite anterior ou no fim de semana pra deixar tudo mais prático e tô amando! Meu quarto tem passado a maior parte do tempo limpo e (relativamente) organizado, as roupas pra lavar em dia, a geladeira cheia de comida fresca. Pizza eu não resisto e é a minha exhaustion bailout meal de escolha, mas faz séculos que não como uma lasanha pronta do mercado!


Nesse primeiro semestre eu descobri que lido muito, mas muuuuito melhor com mudanças concretizadas do que com incertezas! Mesmo que algo mude de um jeito que eu não gostaria, eu me adapto bem e facilmente, o que eu acho muito mais difícil é essa sensação de estar prestes a, essa sensação de estar em standby. Então nesse momento, ter uma vida mais estruturada e principalmente me exercitar com regularidade tem ajudado a me manter centrada, sabe?! É sempre um aprendizado.



Só que olha que engraçado: comecei esse post meras três semanas atrás, e nesse meio tempo, deixei a peteca cair valendo. Fiz uma leva de plantões noturnos, seguida por um fim de semana de plantão, seguida por uma apresentação importante no trabalho que tava tomando todo meu tempo livre, e hoje tô começando mais uma maratona de noturnos. Exercício mesmo, tirando a ida e volta pro trabalho a pé, não faço há uma semana acho. E cara, é inevitável que as coisas fiquem caóticas quando a gente passa 13 horas ou mais por dia trabalhando, por vários dias seguidos. Então paciência, ano passado aprendi com maestria a tolerar a zona por um tempinho, e aí quando a vida volta ao normal, faço meu ritual da fênix pra renascer das cinzas: primeiro durmo tudo que preciso, depois me exercito, limpo o quarto, lavo a louça que tiver acumulada (geralmente uns pratos semi-limpos ou potinhos de plástico que lavo meia-boca no trabalho depois de almoçar), vou ao mercado comprar comida e faço aquele banho-e-tosa básico de cuidar da pele, dos cabelos e etc. Sem dramas.

Aí comecei a refletir e acho que ser good at life mesmo é aprender a mudar as prioridades de acordo com o momento: quando estou viajando loucamente ou trabalhando loucamente, minha mente entra em outro comprimento de onda, não sobra espaço pra me preocupar com as roupas pra lavar porque tô ocupada demais vivendo ou trabalhando, e cuidar da casa cai uns bons 3 degraus na minha lista de prioridades (ou 10, hahahahah). Mas quando tô passando um tempo mais pacato em casa, acho que ter essa estrutura e fazer questão de cuidar de mim faz com que eu consiga focar em outras coisas com muito mais serenidade.

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