Culinária Eslovena: o bronze

Uma das primeiras coisas que eu me surpreendi ao ler sobre a Eslovênia foi que é um destino super foodie, com boa comida a preços justos, e uma onda de alta gastronomia tomando conta de Ljubljana. Pra completar, o país é grande produtor de presunto cru, de um tipo próprio de salame defumado (kranjska klobasa) e de trufas, ou seja: é lóooogico que come-se muito bem por lá!

O vinho eu já sabia que era de respeito, porque um amigo do Alex é importador de vinhos aqui na Inglaterra e foi zoado pela turma de amigos inteira quando anunciou que estava fazendo negócios com produtores eslovenos uns 5 anos atrás – mas a verdade é que a gente não ouve falar mais neles porque a imensa maioria da produção eslovena fica dentro do próprio país, eles adoram os vinhos locais e pouca coisa vai pra exportação justamente porque o mercado interno dá conta de quase tudo.

Eu nem me considero muito foodie e, quando viajo, só dou uma pesquisada em restaurantes por um outro ângulo: sempre procuro provar a culinária típica, experimentar coisas novas, mas nunca fiz questão de alta gastronomia (até pq né, £££) e muito menos reservei restaurantes antes de ir viajar. Meu Lonely Planet, então, foi marcado com três asteriscos: dois deles pela comida típica, e um deles pela vista.

Mas antes de falar de restaurantes específicos, quero falar do mercado de comida de rua mais alto padrão que eu já vi na vida:

Odprta Kuhna significa literalmente cozinha aberta, e é exatamente isso que ele é: uma grande cozinha aberta, na forma de estandes, aos pés da Catedral de São Nicolau, na praça Pogačarjev trg todas as sextas feiras de sol, da primavera ao outono, das 10 da manhã às 9 da noite.


 Olha, Londres é muito bem servida de excelentes mercados de rua, obrigada, mas esse me deixou de queixo caído pela infra-estrutura, qualidade e conforto que oferece. Não só as comidas são todas feitas na hora, como é de praxe nesses mercados, como os estandes são estáveis, espaçosos e bem organizados, os vendedores vendem vinho e espumante geladinho em taças de vidro pra você degustar em mesas de madeira estilo biergarten ou – pra quem curte uma vibe de índio que nem eu – sentar num tapetinho nos degraus da praça com um mini-aparador de madeira pras taças e pratos de comida. Mas ainda não é isso a estrela principal. 

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A estrela principal é, logicamente, a comida! Tem pra todos os gostos: turco, japonês, indiano, chinês, italiano, steak argentino… mas obviamente, vinho branco e rosé geladinho em mãos, fomos inspecionando todos os estandes eslovenos que encontramos!


A primeira escolha foi žlikrofi, que é tipo um tortellini esloveno cujo recheio, ao invés da proteína habitual dos italianos, é batata. Não falei que eles são uma mistura da Itália com a Áustria? Pois bem, esse prato é uma boa ilustração de quando a pasta italiana encontra o lado batatólatra dos germânicos. Eles servem os žlikrofi com molhos variados, e a nossa escolha foi o de trufas.


Depois, enquanto a Cris foi direto na mais alta gastronomia eslovena, eu fui direto na baixa gastronomia, e aí experimentamos os pratos uma da outra:

Ela parou vidrada no estande que tinha os pratos mais bonitos e bem apresentados do mercado, o JB, e pediu um filé de salmão em crosta de [inserir aqui nome do ingrediente que eu não registrei mentalmente nem fotografei pra lembrar]. 😂


E eu fui de pljeskavica, que nada mais é do que um hambúrguer feito de uma mistura de carne bovina, suína e de cordeiro, cortadinho em tiras e servido num flatbread tipo pita, e no meu caso, com um molho bem apimentadinho de pimentões assados chamado ajvar. É um prato balcânico, típico não só da Eslovênia mas de vários outros países da região, incluindo a Sérvia, a Bósnia e a Croácia.


O meu tava ok, mas ficamos muuuuito de cara com a qualidade do prato da Cris, então na hora de devolver a taça de vinho, soltei pro guri do balcão:

— Obrigada moço, tava ótimo. Vocês têm alguma recomendação de restaurante pra gente jantar hoje à noite?

A cara de espanto e ponto de interrogação que ele fez foi IM-PA-GA-VEL, antes de controlar a surpresa e responder com toda a educação:

— Ãhmmm…. o nosso?!

HAHAHAHA gente!!! Eu não tinha me dado conta que ali, diferente do que acontece aqui em Londres, a imensa maioria dos vendedores nesse mercado de rua são na verdade restaurantes conhecidos na cidade que usam o Odprta Kuhna como vitrine do seu trabalho, pra angariar clientes! Colocam uns dois ou três chefs junior lá, com um menu limitado a 2 ou 3 pratos a preços bem camaradas, pra ter exatamente o efeito que o JB Restavracija teve sobre nós. Pois bem. Aceitei o cartão que o moço me deu, notando que o restaurante ficava bem perto do nosso flat, e continuamos turistando. E o resto é história, que eu volto pra contar mais adiante!

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5 respostas em “Culinária Eslovena: o bronze

  1. Ahhhh, tô amando demais essa série de posts, Gabi. Quanta comida gostosa! Assim como você, não sou de alta gastronomia quando viajo, mas adoro provar comidas locais, seja na rua ou restaurante. Além de viajar, adoro uma comidinha gostosa, então a Eslovênia tá ganhando ainda mais pontos na minha lista de acordo com seus relatos!

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  2. Oi Gabi! Eu sou uma leitora do blog, mas um pouco tímida, porque até então nunca havia comentado aqui. Porém como o assunto do post é comida, eis me aqui, (rs…)
    Eu amo viajar e mais ainda provar as comidas locais. Já pego o avião salivando, pensando no que vou comer, hehehe. Eu já estive em Graz, na Aústria, que é bem perto da fronteira com a Eslôvenia, mas acabou que não deu tempo de visitar o país. Com essa série de posts, com certeza entrou na minha lista. Adorei o post! Um abraço
    Ah, desculpe a ignorância, mas eu só não entendi o porque do bronze no título. 😦

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    • Oi Sandra!!! Que demais, adorei saber que a Eslovênia entrou na tua lista depois dos meus posts!!!
      O bronze no título é pq serão 3 posts de comida na Eslovênia: comida de rua (o bronze), restaurantes que eu gostei (a prata) e uma experiência culinária inesquecível (o ouro!) heheheh

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  3. Pingback: Culinária Eslovena: o ouro! | Gabi em Londres

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