Retrospectiva 2016: mês a mês

Apesar de saber que, na prática, a troca do ano ou de idade não mudam nada na vida da gente, eu sempre gostei de usar esses marcos como checkpoints da minha existência. Gosto de refletir sobre o que aconteceu naquele período, como eu mudei, no que melhorei, o que gostaria de ter feito e não fiz. De recalibrar minha bússola pessoal e repensar se a minha vida está alinhada com os meus valores. De recalcular a rota caso tenha me desviado de um dos meus grandes objetivos. E também de fugir um pouco daquela sensação de que o tempo está voando e eu não sei o que estou fazendo com o meu.

Em 2014, inspirada pelo post anual da Dri, que é sempre um dos meus preferidos e totalmente #goals, resolvi colocar essas reflexões no papel, mesmo não levando (ainda!) a vida tão cheia de viagens e descobertas que eu almejava e continuo almejando cada vez mais. E não é que a retrospectiva me surpreendeu? Pra quem vê de fora, pode até parecer meio doentia essa minha vontade de registrar tudo o tempo todo, tirar foto daqui, escrever post dali, mas aquilo me serviu de prova que não dá pra confiar na memória da gente. E olha que eu considero que tenho uma memória super boa. Incrível o tanto de coisa que eu estava me esquecendo, e o tanto que compilar tudo aquilo me fez mais grata sobre o ano que tinha passado. Então resolvi que iria fazer uma retrospectiva pessoal todo ano.

Só que aí 2016 chegou na voadeira com todas as trepidações que contei aqui e que,  combinadas com muito trabalho, inviabilizaram os meus rituais nerds de início do ano. Quem sabe uma hora dessas ainda me animo a revisar 2015 que foi um ano tão crucial e de tantas mudanças na minha vida. Mas o importante é que 2017 começou menos corrido, e como isso é uma prioridade pra mim, quis registrar meu 2016 mês a mês.

Janeiro: Apesar dos pesares, a minha virada de 2015-2016 foi tão boa quanto poderia ter sido. A família da minha cunhada é maravilhosa, aquela coisa bem francesa de cidade pequena, aquela alegria de viver, simplicidade e honestidade de propósito que inspiram a gente, sabe? Não me faltou foie gras, magret de canard nem champagne. E nem meia noite: tive três! Uma lá na França, outra no horário do UK, com o Alex no telefone, e outra no horário do Brasil, com meus pais no Skype.

Uns dias depois, a Luiza publicou no Formei, e agora? o post que ela tinha me convidado a escrever sobre a minha relação com a minha profissão e como conciliei o sonho de morar aqui a uma profissão relativamente restritiva geograficamente, e o negócio viralizou de um jeito que eu jamais teria imaginado.

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Ainda em janeiro, emendei uns dias de dolce far niente com o Alex na casa do meu sogro na Alemanha…

… com mais um fim de semana na Occitânia, com o Rodrigo, Lu e família.

Fevereiro: Tive a maior sorte que a defesa da tese de doutorado do Alex e a formatura do meu irmão caíram em datas próximas o suficiente pra eu poder estar no Brasil para os dois eventos! Cheguei, curti meus rituais de retorno de sempre, o barzinho do lado de casa com o Alex, o por do sol em Santo Antonio, a massagem de pedras quentes no Shambala Spa, e corri pra Caçador pra curtir meus pais e a casa antes de todo mundo chegar. Voltamos pra Floripa juntos, e o Rodrigo e a Lu chegaram em seguida.

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Nesse meio tempo, teve a apresentação da tese do Alex, que foi sucesso total e elogiadíssima por toda a banca. É muito gostoso ver o tanto que o pessoal respeita e venera ele no departamento! No mesmo dia, jantamos fora com o orientador dele, que é um mestre no verdadeiro sentido da palavra, e falamos sobre planos futuros. Voltamos pra casa comentando sobre a nossa sorte em termos ambos encontrado inspirações tão importantes nas nossas profissões.

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Foi também a primeira visita da irmã e cunhado do Alex ao Brasil, e depois que eles chegaram, foi só festa. Fomos pra Ilha do Campeche, passeamos por Floripa, fomos pra Caçador de novo, passamos o aniversário do Alex na Serra Catarinense, em Urubici, e voltamos pra Floripa pela Serra do Rio do Rastro. Foram embora conhecendo mais de Santa Catarina do que muito catarinense por aí! Hahahah

 

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Março: O mês começou no Brasil, com a formatura do Rodrigo, que foi super emocionante. Formaturas são muito, muito valorizadas na nossa família por tudo que representam, e todo mundo vai, então é uma delícia ver a família toda (enorme) reunida!

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Abril: Em abril a coisa já estava começando a pegar com várias incertezas na minha vida pessoal e profissional, então o que eu mais me lembro foi de muito trabalho, muitos plantões, muitas corridas pra manter a sanidade mental, e encontros muito necessários com várias amigas queridas.

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Maio: O acontecimento mais marcante de maio foi a viagem pra Eslovênia! Acho que nunca antes nenhuma viagem tinha superado tanto as minhas expectativas! Sabia que seria legal, sabia que iria gostar, mas demos tanta sorte com o tempo e todas as escolhas que fizemos lá, que voltei pra cá com o coração cheio de gratidão.

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Aliás, um dos momentos mais marcantes da minha vida viajante foi nesse vôo de volta. Sobrevoando os Alpes e olhando pela janelinha pensando na vida, fui invadida por uma onda totalmente inesperada de emoção e  me dei conta do porquê do meu amor por viajar, com a maior clareza que já tive até hoje:

Junho: O maior acontecimento de junho foram as listas de cirurgia com o MEU NOME como anestesista mór – num dos hospitais mais antigos, mais respeitados, mais famosos de Londres. Na prática, nada tão diferente assim do que já vinha fazendo, afinal os chefes que me conheciam já estavam me deixando no comando há bastante tempo, mas nada como sentir o peso da responsabilidade pra fazer tudo parecer mais real, certo? Além disso, apresentei um projeto na reunião do departamento que, apesar de pequeno, simbolizou muita coisa pra mim.

E finalizei o mês curtindo uns dias de preguiça na casa da minha sogra.

Julho: Julho foi o mês em que o Alex e eu decidimos tomar as rédeas das nossas vidas, e depois que decidimos que ele ficaria no Brasil, desencadeamos mil decisões produtivas. Marcamos nossa viagem pro casamento do melhor amigo dele, eu fiz uma revolução organizacional no meu quarto, encontrei com meu mentor e defini meu plano profissional, curti várias festinhas de verão e rooftops e piqueniques e as costumeiras noites de sexta papeando e bebendo prosecco com a Paola, e o mês foi de renovação de esperanças de maneira geral.

Já no fim do mês, aproveitei uma oportunidade de última hora de passar um fim de semana veranil com a Marina e o Murilo em Paris, que foi com certeza um dos pontos altos do ano!!!

E pra completar esse mês tão intenso, passei o último dia de julho no campo de lavanda da fazenda Mayfield, no sul de Londres, com amigos queridos.

Agosto: Pra ser bem sincera, agosto é simplesmente um borrão de trabalho na minha mente! Mudei de coluna na escala a pedido do chefe, e o resultado foi que dentro de 5 semanas, fiz 4 rodadas de plantão. Pra completar, uns colegas ficaram doentes e acabei cobrindo uns plantões extras, pra terminar de aniquilar minha qualidade do sono, hahahah. Não lembro de muita coisa além disso.

Uma delas foi a comemoração do aniversário da Linda, quando nós duas fomos brincar de escalada na Arch Climbing Wall, aqui perto de casa, e depois bebemos um vinho no pub. O mais legal é que, como esse ano ela participou de uns projetos mais longos aqui em Londres, nós acabamos nos encontrando só nós duas, que nunca tinha acontecido antes – e como resultado, além de minha cunhada, hoje a considero minha amiga mesmo. Somos bem parecidas em vários quesitos, então a conversa rende que é uma beleza!

A última semana foi o ponto alto: a chegada do Alex!!! Depois de quase 6 meses sem nos vermos, aquela felicidade de aeroporto de novo, e acho que um dos momentos mais felizes do ano foi nosso jantar num bistrozinho francês aqui perto de casa no dia que ele chegou.

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Terminamos o mês do jeito que gente gosta: viajando. Juntos. A caminho da Itália, país que ambos somos apaixonados e não cansamos nunca de visitar!

SetembroMeu mês preferido do ano começou com o pé direito!!! Curtindo um dolce far niente com o Alex nos arredores de Catania, na Sicília, curtindo o ar fresco e um vinhozinho, e subindo um vulcão ativo!!! Na verdade o Etna é um vulcão bem benevolente, mas mesmo assim sentir o calorzinho da energia geotérmica na minha mão foi mais um daqueles momentos surreais da vida, em que a gente se dá conta da nossa própria insignificância diante do que está ali há milhares de anos!

O casamento do Paul e da Grazia foi sensacional!!! Eu ainda quero muito sentar e escrever um post com mais detalhes, mas vou simplificar e dizer que -com todo respeito a todos os outros casamentos que já fui na vida- esse foi o melhor da história!

E nos dias antes e depois do casamento, ainda curtimos um restinho do verão Mediterrâneo em Siracusa.

 

Passar mais tempo com os amigos do Alex foi ótimo também – uns dias nos sentindo como um casal normal eram tudo que a gente queria.

O meio de setembro, mais uma vez, foi um borrão de trabalho, porque mais uma vez cobri vários plantões extra, pela última vez antes da troca de emprego e burocracias associadas. Na penúltima semana, ainda apresentei mais uma palestrinha numa tarde de estudos, e encerrei minhas responsabilidades por lá.

E no fim do mês, teve mais viagem: dessa vez pra Budapeste, com a Paolex, pra comemorar meu aniver de 29 anos em grande estilo!!! AMEI Budapeste e não poderia ter escolhido melhor: passamos 3 dias lá só curtindo muitos spas, muitas massagens, muito vinho húngaro e as vistas maravilhosas da cidade. Na virada do meu aniver, fomos ao bar mais autêntico que já fui na vida, e depois passamos o dia de molho no Gellert spa antes de seguir pra um rooftop pra brindar os meus 29 anos com a vista da cidade ao por do sol.

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Outubro: Logo no começo do mês, decidi encarar logo de uma vez a prova que eu iria fazer em março de 2017, o que significou colocar em standby todo esse oba-oba e enfiar a cara nos livros! Criei minha nova rotina, com o emprego novo e mais tempo livre pra estudar, e meu mês praticamente se resumiu a isso.

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Novembro: O mês começou com uma visitinha esperta à Queen’s Gallery que foi sem dúvida uma das experiências mais marcantes do ano. Logo em seguida, veio a famigerada prova, e logo em seguida precisei me plantar na frente do laptop até encerrar meu projeto de certificação em eco, que submeti exatamente no último dia do mês – e depois fui pra galeeeera beber um prosequinho com vista da cidade com a Paola e o Roni, minha familinha londrina.

Dezembro: Mais um daqueles eventos em que ozamigos ingleses, blasé que são, fingem costume enquanto eu fico totalmente deslumbrada, morrendo de felicidade e orgulho por estar ali bebericando meu champagne por ande andou a Rainha Vitória.

Aproveitei pra descansar um pouquinho na casa da sogra…

E me mandei pro Brasil!

A primeira semana foi um pula-pula: passei uns dias com o Alex só curtindo nós dois, depois fui pro Paraná visitar meu vô, depois voltei pra Floripa e encontrei em cima da mesa pra me surpreender uma passagem só de ida pra Londres de um certo Englishman, e depois fui encontrar minhas amigas no Rio pra uma viagenzinha de comemoração de muitas coisas: mini-despedida de solteira da Lutty, aniver da Mel, 6 anos da nossa formatura, reunião do quarteto que estamos sempre mortas de saudade, e primeira viagem só nós 4 desde a faculdade!

Quando as meninas foram embora, o Alex foi pro Rio me encontrar pra curtirmos 2 dias por lá, já que em todos esses anos, tínhamos ido ao Rio várias vezes cada um, mas nunca juntos!

Voltando pra Floripa, passei o resto do ano curtindo a família exatamente do jeito que eu queria: sem mil atividades, sem horários, sem stress, bem como sempre foram as nossas férias em Jurerê!

Nossa virada foi bem pacata, em casa, na chuva, porque no dia seguinte logo de manhã eu tinha que estar no aeroporto e achamos que enfrentar os engarrafamentos perrenguentos de Floripa no Reveillon pra passar duas horas em qualquer lugar não valia a pena. E no fim das contas foi uma ótima decisão, porque antes da 1 da manhã eu já tava capotada na cama!

O que eu já sei sobre 2017

Esse é um ano engraçado porque, com o retorno do Alex pra Londres e com a minha vida profissional basicamente dependendo do meu sucesso ou não nas provas, nem sequer sabemos como estarão nossas rotinas na maior parte do ano. Então minha nóia de querer planejar tudo está em semi-suspensão!

Janeiro vai ser um mês pacato necessariamente, porque tenho mais uma prova no fim do mês, que aliás não vou nem falar nada… Mas logo depois da prova, me mando pra um bate e volta de fim de semana em Milão, e uma amiga que mora na Alemanha vai pra lá me encontrar.

Fevereiro vai ser cheio de emoções!!! Já na segunda semana o Alex chega, vamos pra Dorset deixar as mil bagagens que ele acumulou em 5 anos morando no Brasil, curtir uns dias de sossego juntos e saborear a felicidade de estarmos -finalmente!- reunidos. Uns dias depois, vou pra Lisboa com a Mah, curtir bem a companhia da minha amiga numa girls’ trip pré-chegada dos gêmeos!

Entre o fim de fevereiro e começo de março, estarei na Bavária, onde eu e o Alex vamos passar uns dias na casa do meu sogro.

Abril tem Brasil de novo e dessa vez vou ficar quase o tempo todo na casa dos meus pais, só curtindo a companhia deles! A razão da viagem ser agora, tão cedo depois de ter passado o fim de ano lá, é o casamento da Lutty no oeste do Paraná – e vou aproveitar a deixa pra voltar a Foz do Iguaçu e ver as cataratas mais uma vez, dessa vez com a Ju, porque eu é que não ia perder uma oportunidade dessas!

E para o restante do ano, os únicos planos concretos são o grande acontecimento de agosto, que vai ser o casamento da minha cunhada no norte da Inglaterra, e o grande acontecimento de setembro que são os meus 30 anos Brasilllll!!!! Que quero comemorar em grande estilo e em algum lugar novo, e até já tive umas idéias mas não comecei a planejar nada concreto ainda.

Também em algum momento do segundo semestre os meus pais devem vir pra cá e/ou pra França, e a Ju também virá nos visitar entre setembro e outubro. E por enquanto é isso!!!

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Restrospectiva 2016 – os hábitos

Apesar de 2016 ter sido um ano difícil, foi o ano em que eu consegui criar vários (e manter alguns) bons hábitos.

Hábitos são reconhecidamente difíceis de criar e mais difíceis ainda de manter, mas como acredito muito no poder que eles têm de mudar a nossa vida, nesse ano me esforcei muito mais do que em anteriores. Não tenho grandes dificuldades em fazer coisas que me proponho a fazer, mas o que me falta é consistência, e isso é uma das características que mais me deixa desmoralizada. Por isso, considero esses novos hábitos a minha maior conquista de 2016.

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Então, como parte dos meus rituais de ano novo, resolvi refletir sobre os hábitos de 2016 e aqueles que quero para 2017.

A Única Coisa: esse é o hábito que tornou possível mudar mais hábitos em 2016. No final de 2015, eu li um livro chamado The One Thing, em que o autor basicamente comprova que multitasking é uma falácia e que o cérebro humano só consegue se concentrar em uma coisa por vez. O que a gente chama de multitarefa é, na verdade, uma alternância frenética entre uma tarefa e outra, que funciona em certas ocasiões mas na maioria das vezes deixa a gente estressado e confuso. Ele defende que a gente se pergunte:

Qual é a única coisa que eu posso fazer de modo que fazê-la torne todas as restantes mais fáceis ou desnecessárias?

Então passei o ano de 2016 todo me perguntando isso sempre que possível, e tentando resistir ao ímpeto ansioso de resolver ou de mudar muitas coisas por vez. É difícil pensar assim em todas as áreas da vida, mas é a esse mindset que eu atribuo o meu sucesso no único hábito que eu queria mudar em 2016, que tornaria todo o resto mais fácil – e de fato tornou, que é esse aqui abaixo.

Higiene do sono: já falei várias vezes aqui que tenho a mente muito ativa, né?! Por muitos anos tive problemas sérios com insônia do tipo inicial e, portanto, também muita dificuldade para acordar de manhã. Durante e depois da residência, a dificuldade para pegar no sono melhorou, já que eu vivia completamente exausta e cronicamente privada de sono. Mas apesar de conseguir dormir facilmente quando deitava a cabeça no travesseiro, minha vida funcionava de tal maneira que eu nunca conseguia ir para a cama cedo suficiente pra me permitir uma quantidade de sono minimamente aceitável. E justamente por isso, a dificuldade para acordar de manhã continuava. Em 2016 eu decidi que isso seria minha prioridade absoluta, minha grande resolução de ano novo, e incluía estabelecer um ritual noturno, acordar mais cedo e um ritual matinal. Tive diferentes graus de sucesso nos 3, mas em todos melhorei e continuo melhorando:

  • Ritual noturno:
    • 15h – Sem cafeína: como não tomo café, sou super sensível à cafeína. Adotei há vários anos o hábito inglês de tomar chá preto com leite, mas depois de me mudar pra cá, como toda sala de descanso por aqui tem uma torneirinha de água fervente, chá e leite à vontade, comecei a tomar demais, o dia inteiro mesmo, e percebi que quando tomava chá até o fim do dia, tinha mais dificuldade pra dormir. Então passei a explorar opções de infusões herbais e eliminei a cafeína depois das 15h.
    • 21h – Luz baixa: a partir das 21h, procuro apagar a luz de cima e ficar só com iluminação indireta das luminárias e luzinhas que tenho no parapeito da janela.
    • 21h – Evitar atividades mentais muito estimulantes: as duas principais são falar no telefone e fazer coisas relacionadas ao trabalho. A segunda nem sempre é possível, mas percebi que falar no telefone me acorda como poucas coisas, então às vezes prefiro falar no whatsapp com o Alex ou meus pais depois desse horário, que estimula mas não tanto quanto ouvir a voz deles e falar.
    • Chá antes de dormir: adoro o quentinho, aquela molezinha que um chá bem quentinho me dá antes de dormir. Então depois que comecei a explorar mais os chás sem cafeína, todas as noites, começo minha função noturna fazendo um dos meus preferidos (atualmente limão&gengibre ou camomila&mel) e trazendo pra cima comigo.
    • Cuidados com a pele: enquanto o chá esfria um pouquinho, começo a skincare rigmarole como o Alex apelidou. Coisas básicas: lavar, ingredientes ativos, hidratar. Os produtos foram mudando porque minha pele mudou muito esse ano (depois quero escrever um post só sobre ela) mas a lógica e o tempo passado nisso são os mesmos.
    • 22h – Desconectar: antes de desligar o wi-fi, dou aquela última olhada no email e no instagram e procuro colocar o celular de lado de vez. Claro que essa é a rotina mais difícil de todas e aquela que eu mais furei ao longo do ano, mas apesar disso, consegui progressos enormes.
    • Aplicativo do sono: desde novembro de 2015, venho usando o aplicativo Sleep Cycle, que usa o microfone e o acelerômetro do iPhone pra mapear a profundidade do sono. Não sei se é assim um primor da acurácia, mas costuma bater bem com os horários que eu de fato durmo e minha impressão geral da qualidade do sono. Sou a maior nerd dos gráficos, então qualquer coisa que mapeie uma coisa x que eu faça e exponha em gráficos de coisa x versus tempo com médias, tendências e nerdices associadas terá minha atenção e interesse. Ele me ajudou a perceber várias das coisas que eu descrevi aí em cima.  Resta saber se vai funcionar direito com duas pessoas na mesma cama – depois que eu e o Alex nos mudarmos, volto pra contar.


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    • Leitura: depois de colocar o celular de lado, procuro ler um livro físico por alguns minutos até o sono bater. Geralmente tento ler ficção, ou livros mais light. Nada de “Getting Things Done” e outras coisas que sirvam de gatilho pra minha lista de afazeres mental!
  • Acordar mais cedo:
    • Eu costumo dizer que sou uma pessoa matinal presa no corpo de uma pessoa preguiçosa, hahahah… A verdade é que eu sempre me senti melhor de manhã, sempre achei péssimo fazer coisas produtivas à noite, mas nem a criatura mais matinal do mundo, se viver mal dormida como eu vivia, vai conseguir acordar com tempo extra para curtir a paz da manhã. Então meu status quo era acordar com tempo totalmente cronometrado pra lavar o rosto, escovar os dentes, passar meus cremes, botar uma roupa qualquer, passar a mão em uma banana e sair correndo de casa às 06:45. Minha taxa de sucesso nesse quesito foi super variável ao longo do ano, porque o meu trabalho começa tão cedo que se eu quiser um tempo pra mim, tenho que acordar muito cedo mesmo. Mas agora eu já consigo acordar com tempo pra tomar um chá e comer ovos mexidos com calma, às vezes lavar o cabelo quando preciso, e no último verão eu acordava com a maior facilidade pra me exercitar às 5:30 – e me sentia a dona do universo quando fazia, então essa eu definitivamente quero continuar melhorando esse ano! Outra coisa que comprei pra esse inverno é uma lâmpada daquelas que simula o nascer do sol, porque fiquei chocada com a minha facilidade de acordar na claridade precoce do verão então tô ainda começando a desfrutar, mas acho que vai ajudar.
  • Ritual matinal:
    • A primeira coisa que eu faço: variou entre meditar por 10 minutos, pegar o celular e checar email e instagram, e descer pra colocar a chaleira elétrica pra funcionar. Muito espaço pra melhorar ainda.
    • Chá preto e café da manhã: quando me exercito, saio comendo uma banana pelo caminho, e na volta tomo o café direito, que no começo do ano era uma crepioca de queijo feta e hoje em dia eu eliminei o polvilho e faço só ovos mexidos com queijo feta, porque é mais rápido e tão gostoso quanto.
    • Exercício: tenho bem mais pra falar sobre isso mais adiante, mas alternei entre corrida, mais uma tentativa frustrada de incluir a academia na minha vida, e uns exercícios funcionais em casa.
    • Creams rigmarole: dessa vez incluindo o protetor solar nosso de cada dia e um mínimo de maquiagem, geralmente só uma base, delineador e rímel.

Leitura: eu era uma leitora voraz até os 16, 17 anos. Mas assim, VORAZ mesmo, de passar as tardes livres lendo quando estava no colégio. Depois que entrei na faculdade, acho que por conta da culpa perpétua que eu sentia por não estar estudando o suficiente, fui deixando a leitura por prazer um pouco de lado porque achava que não estava merecendo esse luxo. Claro que ao longo dos anos fui lendo um ou outro livro de ficção, mas não consistentemente, não todo dia, sabe? Esse ano eu consegui resgatar esse hábito e não poderia estar mais feliz com isso! Já estou com a lista cheia de clássicos pra ler esse ano!

Atividade Física: me exercitei em 2016 com muito mais frequência do que em 2015, mas ainda não achei um ponto de equilíbrio, algo que funcione o suficiente pra mim para se tornar consistente. Um fator complicador foi que, depois de setembro, meu dia a dia passou a ser muuuito menos ativo do que antes, tanto pela localização quanto pela natureza do trabalho, então terminei o ano pior do que comecei em termos de nível de atividade e satisfação com o meu corpo. Com a corrida, continuo naquele iô-iô que já é meu velho conhecido: recomeço-lesão-recomeço-lesão. Em 2016 consegui frear os terrible toos (too much, too fast), mas ainda assim em outubro-novembro comecei com dores no quadril e perna direita. Às vezes penso que estou insistindo demais, que tem gente que não nasceu pra ser corredor(a), que minha anatomia é muito propensa a lesões, mas por outro lado acho que ainda estou fazendo as coisas errado, que ainda tem o que corrigir. Já pensei em desistir de vez e achar outra atividade, mas o problema é que eu gosto de correr! Não daquele tipo que “aaai nooossa, se eu fico sem correr 3 dias eu fico na fissura igual viciado”, mas me sinto muito, muito bem depois de correr, e percebo que isso contribui para que eu faça escolhas mais saudáveis na alimentação também. Academia ou exercícios funcionais são um mal necessário, digamos assim, caso eu queira realmente investir na corrida e também perder os kg extra. Então veremos, meu plano para esse ano é ser mais consistente. Nada de sedentarismo intermitente.

Meditação: Fiz um curso de meditação para iniciantes em outubro e AMEI! Passei o mês todo meditando todos os dias, e aí em novembro a coisa foi miando, e em dezembro mesmo nem sequer me lembrei de fazer. É uma daquelas coisas que só o hábito é que dá resultado, em que a persistência é que dá recompensas, então definitivamente pretendo continuar tentando.

E agora, o único hábito que eu quero criar em 2017:

Minha relação com a alimentação! Sou super ansiosa e comilona, tipo viciada em comida mesmo, tanto que isso é motivo de piada mór entre família e amigos. Em 2017 quero aprender a me alimentar melhor, a escolher comidas que me façam bem. Sem nóia, mas acho importante criar uma rotina sustentável ao longo da vida. Eu tenho muita sorte, porque com o tanto que eu como, era pra pesar muito mais, porém ninguém aqui está ficando mais jovem  e não há genética boa que aguente insultos constantes né. Desse jeito comendo mal, ganhando um quilinho aqui e ali à medida que vou ficando mais velha, daqui a pouco estarei hipertensa e diabética. Ando me esforçando para mudar, e hoje me alimento muito melhor do que no passado, mas volta e meia capitulo e como trocentas calorias numa sentada só, depois fico me sentindo super desmoralizada. E para mim, é mais simbólico ainda que eu consiga dominar minha Magali interior até os 30 anos, que completo em setembro. Alea jacta est! No fim do ano eu volto pra contar!

Retrospectiva 2016 – o desabafo

Nesse exato momento me encontro no meio do Atlântico, começando 2017 do jeito que eu gosto: viajando! E não tem situação melhor do que um bom e velho vôo longo sem wi-fi pra gente ser forçada a desconectar, e ter tempo pra refletir direito sobre a vida.

Eu tenho muitos defeitos, mas ingrata eu não sou. Tenho plena consciência da minha sorte na vida. De como os quase 30 anos da minha vida se passaram sem grandes percalços, quiçá até sem pequenos percalços. De como tudo que eu quis até hoje, cedo ou tarde eu consegui, e o que não foi possível na hora que eu quis, acabou se revelando melhor pra mim depois. Tenho consciência do quanto a vida é generosa comigo.

2016 foi um rude awakening da minha “vida cor de rosa”. Desde o primeiro minuto. Minha virada foi um plano B traçado às pressas. Ao invés de assitir os fogos de Londres à beira rio com meu namorado, irmão, cunhada e um casal de amigos que veio de Paris, os assisti pela televisão, à 1h da manhã no sul da França, chorando copiosamente e desejando exclusivamente de 2016 a saúde do meu irmão. Uns dias depois o Alex voltou pro Brasil para passar na melhor hipótese 3 meses, mas quem me acompanha já sabe que 2016 não foi o ano das melhores hipóteses. Sozinha em Londres, trabalhando muito na escuridão do inverno e fragilizada pela realidade de que a saúde das pessoas que eu mais amo no mundo não é de aço, janeiro ainda tinha mais dois choques reservados pra mim: uma amiga-irmã passando por uma super crise na vida, e um amigo querido diagnosticado com uma doença terminal aos 31 anos.

O primeiro semestre desse ano foi um abalo sísmico emocional de nível 6 na escala Richter na minha vidinha tão estável – quando uma coisa começava a melhorar, outra aparecia. Teve um momento do ano em que aguardávamos roendo as unhas o veredito da CAPES sobre a liberação do Alex para vir ou não, em que não sabíamos se teríamos que passar mais um ano a um oceano de distância um do outro, eu estava estendendo meu contrato no meu apê “mais um mês” e o fim do meu fellow se aproximava sem que eu tivesse emprego acertado na sequência. Quando achei que não tinha mais o que piorar, passei pela primeira rejeição profissional da minha vida. Nunca achei que mandar currículos e esperar uma chamada para entrevista que nunca veio fosse tão dolorido. Justo eu, que me achava tão proativa, tão desejável como funcionária, tão melhor do que era quando me mudei pra lá.

Isso tudo só no meu microcosmo, sem contar todas as bizarrices no cenário global…

E a cereja do bolo foi a culpa que eu sentia. O Alex sozinho e deprimido no Brasil, ele que se mudou pra lá aos 25 anos pra podermos ficar juntos, ele que encontrou na vida acadêmica uma possibilidade de aliar a paixão por História e Literatura e ao mesmo tempo morar no Brasil sem precisarmos encarar a pressão de um casamento por visto como tanta gente sugeriu na época e que nem eu nem ele jamais quisemos, ele que podia ter uma vida tão diferente, tão melhor (naquele momento) se eu nunca tivesse cruzado o caminho dele. Ele, que estava passando frio no inverno catarinense. E eu em Londres, de sonho realizado, de viagens planejadas, de drinks marcados em rooftops, de piqueniques na grama no verão, de amizades novas se formando.

O que mais nos torturava eram as indefinições. Eu lido muito, muito melhor com uma realidade “ruim” do que com incertezas, e o Alex é igual, então no dia primeiro de julho, resolvemos tomar nosso destino com as próprias mãos e decidimos que, apesar de ser o oposto do que a gente queria, o melhor era sacramentarmos que ele ficaria no Brasil até o começo de 2017 independente da resposta da CAPES, estabelecer uma vida profissional e uma rotina que o fizessem sentir que não fosse um tempo perdido. Eu renovei meu contrato no flat até 2017, marquei uma reunião com meu mentor para pensar em possibilidades profissionais que se encaixassem nos meus planos futuros para depois do fellow, finalmente aceitei o óbvio e decidi adiar uma prova para a qual eu absolutamente não tinha estrutura emocional pra estudar, e marcamos uma ida conjunta para o casamento do melhor amigo do Alex na Itália em setembro.

A partir daí, tudo começou a melhorar. O Alex passou a ensinar inglês e alemão pra várias turmas, prosseguiu com os planos de colaboração na universidade, publicou artigos, palestrou em uma conferência super importante com direito a elogios do diretor do Instituto Shakespeare e de uma das acadêmicas mais respeitadas do mundo na área dele, e eu aos poucos fui delineando novos planos de curto, médio e longo prazo também: um fellow de pesquisa que me permitiria num primeiro momento mais tempo livre pra estudar pras provas do Royal College, e num segundo momento uma melhora significativa do meu currículo; a decisão de encarar de vez uma trajetória difícil para ser anestesista sênior nessa terra, ao invés de um atalho que me custaria uma dor de cabeça e provavelmente menos autonomia depois; a aceitação de que aquela rejeição não foi só pelo modus operandi conservador da minha profissão (em que investir em renda fixa vale mais do que investir em ações, em que contratar uma médica brasileira -espécie raríssima na floresta selvagem de Londres- seria o equivalente a investir numa startup, e não na renda fixa do bom e velho conhecido padrão de treinamento inglês ou europeu), mas também porque eu ainda tenho muito pra melhorar no meu currículo e aprender a me vender. Ironicamente, quando estava tudo 90% acertado pro meu emprego atual, um daqueles hospitais lá de abril entrou em contato comigo querendo marcar entrevista. Provavelmente porque a primeira opção deles deu pra trás, mas enfim.

E nos últimos meses do ano, quando eu já nem esperava mais nada de 2016, mais uma vez meu bordão de que felicidade = expectativa – realidade se comprovou. Criei coragem pra encarar  em novembro aquela prova que eu tinha adiado em setembro e resolvido fazer só em março de 2017 – e passei!!! E pra dar um fatality nesse ano bizarro, ainda terminei o meu logbook de eco, completando o processo de certificação em eco, que coroou o primeiro capítulo da minha vida profissional em Londres, de adaptação, de aprender como funciona a medicina inglesa, de finalizar meu fellow de cardíaca e o meu objetivo original ao vir pra cá.

Eu, que estava louca pra ver 2016 pelas costas, agora o vejo com uma perspectiva totalmente diferente. 2016 foi o ano que mais me fez crescer até hoje, que me mostrou o que realmente importa na vida, que fortaleceu todas, TO-DAS as minhas relações (com meu namorado, com meus pais, com meu irmão, com as minhas melhores amigas). O ano baixinho, sem cara de jogador de vôlei, que levantou a bola bem, bem alto pra eu descer a minha mão direita com vontade em 2017.