Restrospectiva 2016 – os hábitos

Apesar de 2016 ter sido um ano difícil, foi o ano em que eu consegui criar vários (e manter alguns) bons hábitos.

Hábitos são reconhecidamente difíceis de criar e mais difíceis ainda de manter, mas como acredito muito no poder que eles têm de mudar a nossa vida, nesse ano me esforcei muito mais do que em anteriores. Não tenho grandes dificuldades em fazer coisas que me proponho a fazer, mas o que me falta é consistência, e isso é uma das características que mais me deixa desmoralizada. Por isso, considero esses novos hábitos a minha maior conquista de 2016.

aristotle.jpg

Então, como parte dos meus rituais de ano novo, resolvi refletir sobre os hábitos de 2016 e aqueles que quero para 2017.

A Única Coisa: esse é o hábito que tornou possível mudar mais hábitos em 2016. No final de 2015, eu li um livro chamado The One Thing, em que o autor basicamente comprova que multitasking é uma falácia e que o cérebro humano só consegue se concentrar em uma coisa por vez. O que a gente chama de multitarefa é, na verdade, uma alternância frenética entre uma tarefa e outra, que funciona em certas ocasiões mas na maioria das vezes deixa a gente estressado e confuso. Ele defende que a gente se pergunte:

Qual é a única coisa que eu posso fazer de modo que fazê-la torne todas as restantes mais fáceis ou desnecessárias?

Então passei o ano de 2016 todo me perguntando isso sempre que possível, e tentando resistir ao ímpeto ansioso de resolver ou de mudar muitas coisas por vez. É difícil pensar assim em todas as áreas da vida, mas é a esse mindset que eu atribuo o meu sucesso no único hábito que eu queria mudar em 2016, que tornaria todo o resto mais fácil – e de fato tornou, que é esse aqui abaixo.

Higiene do sono: já falei várias vezes aqui que tenho a mente muito ativa, né?! Por muitos anos tive problemas sérios com insônia do tipo inicial e, portanto, também muita dificuldade para acordar de manhã. Durante e depois da residência, a dificuldade para pegar no sono melhorou, já que eu vivia completamente exausta e cronicamente privada de sono. Mas apesar de conseguir dormir facilmente quando deitava a cabeça no travesseiro, minha vida funcionava de tal maneira que eu nunca conseguia ir para a cama cedo suficiente pra me permitir uma quantidade de sono minimamente aceitável. E justamente por isso, a dificuldade para acordar de manhã continuava. Em 2016 eu decidi que isso seria minha prioridade absoluta, minha grande resolução de ano novo, e incluía estabelecer um ritual noturno, acordar mais cedo e um ritual matinal. Tive diferentes graus de sucesso nos 3, mas em todos melhorei e continuo melhorando:

  • Ritual noturno:
    • 15h – Sem cafeína: como não tomo café, sou super sensível à cafeína. Adotei há vários anos o hábito inglês de tomar chá preto com leite, mas depois de me mudar pra cá, como toda sala de descanso por aqui tem uma torneirinha de água fervente, chá e leite à vontade, comecei a tomar demais, o dia inteiro mesmo, e percebi que quando tomava chá até o fim do dia, tinha mais dificuldade pra dormir. Então passei a explorar opções de infusões herbais e eliminei a cafeína depois das 15h.
    • 21h – Luz baixa: a partir das 21h, procuro apagar a luz de cima e ficar só com iluminação indireta das luminárias e luzinhas que tenho no parapeito da janela.
    • 21h – Evitar atividades mentais muito estimulantes: as duas principais são falar no telefone e fazer coisas relacionadas ao trabalho. A segunda nem sempre é possível, mas percebi que falar no telefone me acorda como poucas coisas, então às vezes prefiro falar no whatsapp com o Alex ou meus pais depois desse horário, que estimula mas não tanto quanto ouvir a voz deles e falar.
    • Chá antes de dormir: adoro o quentinho, aquela molezinha que um chá bem quentinho me dá antes de dormir. Então depois que comecei a explorar mais os chás sem cafeína, todas as noites, começo minha função noturna fazendo um dos meus preferidos (atualmente limão&gengibre ou camomila&mel) e trazendo pra cima comigo.
    • Cuidados com a pele: enquanto o chá esfria um pouquinho, começo a skincare rigmarole como o Alex apelidou. Coisas básicas: lavar, ingredientes ativos, hidratar. Os produtos foram mudando porque minha pele mudou muito esse ano (depois quero escrever um post só sobre ela) mas a lógica e o tempo passado nisso são os mesmos.
    • 22h – Desconectar: antes de desligar o wi-fi, dou aquela última olhada no email e no instagram e procuro colocar o celular de lado de vez. Claro que essa é a rotina mais difícil de todas e aquela que eu mais furei ao longo do ano, mas apesar disso, consegui progressos enormes.
    • Aplicativo do sono: desde novembro de 2015, venho usando o aplicativo Sleep Cycle, que usa o microfone e o acelerômetro do iPhone pra mapear a profundidade do sono. Não sei se é assim um primor da acurácia, mas costuma bater bem com os horários que eu de fato durmo e minha impressão geral da qualidade do sono. Sou a maior nerd dos gráficos, então qualquer coisa que mapeie uma coisa x que eu faça e exponha em gráficos de coisa x versus tempo com médias, tendências e nerdices associadas terá minha atenção e interesse. Ele me ajudou a perceber várias das coisas que eu descrevi aí em cima.  Resta saber se vai funcionar direito com duas pessoas na mesma cama – depois que eu e o Alex nos mudarmos, volto pra contar.


      img_0738-1


      img_0736


      img_0737

    • Leitura: depois de colocar o celular de lado, procuro ler um livro físico por alguns minutos até o sono bater. Geralmente tento ler ficção, ou livros mais light. Nada de “Getting Things Done” e outras coisas que sirvam de gatilho pra minha lista de afazeres mental!
  • Acordar mais cedo:
    • Eu costumo dizer que sou uma pessoa matinal presa no corpo de uma pessoa preguiçosa, hahahah… A verdade é que eu sempre me senti melhor de manhã, sempre achei péssimo fazer coisas produtivas à noite, mas nem a criatura mais matinal do mundo, se viver mal dormida como eu vivia, vai conseguir acordar com tempo extra para curtir a paz da manhã. Então meu status quo era acordar com tempo totalmente cronometrado pra lavar o rosto, escovar os dentes, passar meus cremes, botar uma roupa qualquer, passar a mão em uma banana e sair correndo de casa às 06:45. Minha taxa de sucesso nesse quesito foi super variável ao longo do ano, porque o meu trabalho começa tão cedo que se eu quiser um tempo pra mim, tenho que acordar muito cedo mesmo. Mas agora eu já consigo acordar com tempo pra tomar um chá e comer ovos mexidos com calma, às vezes lavar o cabelo quando preciso, e no último verão eu acordava com a maior facilidade pra me exercitar às 5:30 – e me sentia a dona do universo quando fazia, então essa eu definitivamente quero continuar melhorando esse ano! Outra coisa que comprei pra esse inverno é uma lâmpada daquelas que simula o nascer do sol, porque fiquei chocada com a minha facilidade de acordar na claridade precoce do verão então tô ainda começando a desfrutar, mas acho que vai ajudar.
  • Ritual matinal:
    • A primeira coisa que eu faço: variou entre meditar por 10 minutos, pegar o celular e checar email e instagram, e descer pra colocar a chaleira elétrica pra funcionar. Muito espaço pra melhorar ainda.
    • Chá preto e café da manhã: quando me exercito, saio comendo uma banana pelo caminho, e na volta tomo o café direito, que no começo do ano era uma crepioca de queijo feta e hoje em dia eu eliminei o polvilho e faço só ovos mexidos com queijo feta, porque é mais rápido e tão gostoso quanto.
    • Exercício: tenho bem mais pra falar sobre isso mais adiante, mas alternei entre corrida, mais uma tentativa frustrada de incluir a academia na minha vida, e uns exercícios funcionais em casa.
    • Creams rigmarole: dessa vez incluindo o protetor solar nosso de cada dia e um mínimo de maquiagem, geralmente só uma base, delineador e rímel.

Leitura: eu era uma leitora voraz até os 16, 17 anos. Mas assim, VORAZ mesmo, de passar as tardes livres lendo quando estava no colégio. Depois que entrei na faculdade, acho que por conta da culpa perpétua que eu sentia por não estar estudando o suficiente, fui deixando a leitura por prazer um pouco de lado porque achava que não estava merecendo esse luxo. Claro que ao longo dos anos fui lendo um ou outro livro de ficção, mas não consistentemente, não todo dia, sabe? Esse ano eu consegui resgatar esse hábito e não poderia estar mais feliz com isso! Já estou com a lista cheia de clássicos pra ler esse ano!

Atividade Física: me exercitei em 2016 com muito mais frequência do que em 2015, mas ainda não achei um ponto de equilíbrio, algo que funcione o suficiente pra mim para se tornar consistente. Um fator complicador foi que, depois de setembro, meu dia a dia passou a ser muuuito menos ativo do que antes, tanto pela localização quanto pela natureza do trabalho, então terminei o ano pior do que comecei em termos de nível de atividade e satisfação com o meu corpo. Com a corrida, continuo naquele iô-iô que já é meu velho conhecido: recomeço-lesão-recomeço-lesão. Em 2016 consegui frear os terrible toos (too much, too fast), mas ainda assim em outubro-novembro comecei com dores no quadril e perna direita. Às vezes penso que estou insistindo demais, que tem gente que não nasceu pra ser corredor(a), que minha anatomia é muito propensa a lesões, mas por outro lado acho que ainda estou fazendo as coisas errado, que ainda tem o que corrigir. Já pensei em desistir de vez e achar outra atividade, mas o problema é que eu gosto de correr! Não daquele tipo que “aaai nooossa, se eu fico sem correr 3 dias eu fico na fissura igual viciado”, mas me sinto muito, muito bem depois de correr, e percebo que isso contribui para que eu faça escolhas mais saudáveis na alimentação também. Academia ou exercícios funcionais são um mal necessário, digamos assim, caso eu queira realmente investir na corrida e também perder os kg extra. Então veremos, meu plano para esse ano é ser mais consistente. Nada de sedentarismo intermitente.

Meditação: Fiz um curso de meditação para iniciantes em outubro e AMEI! Passei o mês todo meditando todos os dias, e aí em novembro a coisa foi miando, e em dezembro mesmo nem sequer me lembrei de fazer. É uma daquelas coisas que só o hábito é que dá resultado, em que a persistência é que dá recompensas, então definitivamente pretendo continuar tentando.

E agora, o único hábito que eu quero criar em 2017:

Minha relação com a alimentação! Sou super ansiosa e comilona, tipo viciada em comida mesmo, tanto que isso é motivo de piada mór entre família e amigos. Em 2017 quero aprender a me alimentar melhor, a escolher comidas que me façam bem. Sem nóia, mas acho importante criar uma rotina sustentável ao longo da vida. Eu tenho muita sorte, porque com o tanto que eu como, era pra pesar muito mais, porém ninguém aqui está ficando mais jovem  e não há genética boa que aguente insultos constantes né. Desse jeito comendo mal, ganhando um quilinho aqui e ali à medida que vou ficando mais velha, daqui a pouco estarei hipertensa e diabética. Ando me esforçando para mudar, e hoje me alimento muito melhor do que no passado, mas volta e meia capitulo e como trocentas calorias numa sentada só, depois fico me sentindo super desmoralizada. E para mim, é mais simbólico ainda que eu consiga dominar minha Magali interior até os 30 anos, que completo em setembro. Alea jacta est! No fim do ano eu volto pra contar!

Anúncios

5 respostas em “Restrospectiva 2016 – os hábitos

  1. Gabi, adoro acompanhar você por aqui e pelo instagram. Temos a mesma idade e te acho uma super inspiração, sabe? Você me parece super inteligente, sóbria e focada, e é muito bom ter essas referências pra nossa vida. Vou dar uma olhada nesse livro que você comentou e já ansiosa pra saber como você vai lidar com a alimentação esse ano, já que eu tenho o mesmo problema (comida, comida, comida o tempo todo, se tô triste, feliz, etc). Obrigada por posts como esse!

    Curtir

    • Barbara, que querida!!! Obrigada pelos elogios! Sabe que não me acho muito focada não, aliás já me perguntei se tenho algum grau de DDAH 😂 mas né, tamo junto na luta!
      Os autores do livro são Gary Keller e Jay Papasan. Gostei bastante, não cura as mazelas do mundo mas me ajudou bastante a mudar de perspectiva e traçar metas mais realistas! Beijao

      Curtir

  2. Oi, Gabi!
    Feliz ano novo! 🙂
    Vim aqui dar palpite sem você pedir (de nada! hehe) sobre corrida: eu também ficava travadona no quadril depois dos meus treinos. Pra referencia, eu corri o Dopey Challenge da Disney em 2015 (!! nem eu acredito!) e treinei pra caramba pra isso. Eu também não me considero biotipo corrida e nem atleta, ou seja, pura teimosia. Aí o que me resolveu mesmo era um good quality time com meu amigo o rolinho depois de cada treino. Esse aqui ó: https://www.amazon.com/TriggerPoint-Roller-Instructional-Original-13-inch/dp/B0040EGNIU/ref=sr_1_3?s=sports-and-fitness&ie=UTF8&qid=1483552175&sr=1-3&keywords=trigger+point+foam+roller Passa nos quadríceps, nos posteriores e onde dói pra caramba, no lateral. Deita no rolinho e chora. Mas com o tempo ó, tudo de bom.

    Caso interesse, o melhor livro de corrida que eu já li é ‘Run less, run faster” ( https://www.amazon.com/Runners-World-Faster-3-Run-Week-ebook/dp/B007PF7LBE/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1483552262&sr=1-1&keywords=run+less+run+faster ). Várias dicas boas, planilhas de treino, exercícios complementares pra evitar lesão, além de uma sessão incrível de alongamentos pós-treino – o que eu fazia religiosamente e ajudou muito mesmo.

    Já que você gosta tanto de correr, talvez essas coisas te ajudem a manter o hábito.
    Beijão!
    Flá

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s