Água dura em cabelo mole

Tanto bate até que cria uma ENGRONHA CATACLISMICA!

Até umas semanas atrás, tudo ia bem na esfera capilar da minha vida.

Meu cabelo sempre foi bem saudável, tanto que toda vez que vou na Fer Nabuco ela elogia a saúde e maciez dos meus cabelos! Nunca fui de gastar lá muuuita energia neles, mas aprendi desde cedo a diferença que a qualidade da água faz nos cabelos: quando mudei de Caçador (região de montanha, a quase 1000m de altitude) pra Floripa, aos 16 anos de idade, notei imediatamente o quão mais ressecado e menos viçoso meu cabelo ficava. E ir pra Caçador de férias era sempre aquela glória, mal precisava secar o cabelo com secador e já ficava me sentindo a própria Kate Middleton. Então quando vim pra Londres, percebi que desci mais um degrau nesse precipício da água ruim, e que ia ter que me espertar um pouco mais com os cuidados pra não ficar igual a Hermione Granger.

Depois que resolvi fazer luzes, na metade do ano passado, passei a caprichar ainda mais: uso máscara hidratante umas 3x por semana, sendo que uma delas eu realmente deixo agindo uns 20 minutos ou mais, uso um shampoo específico de “limpeza” uma vez por semana, evito secar o cabelo com secador (que é fácil pra mim, já que meu cabelo passa metade da minha vida escondido e amarrotado numa touca de centro cirúrgico #vantagens) e quando uso secador ou babyliss, sempre, sempre uso um protetor térmico antes. A única coisa que nunca consegui adaptar na minha rotina foi o pré-shampoo, sempre esquecia de passar de antemão e aí ficava fazendo hora por 15-30 minutos pra depois lavar, então não rolou.

Mas o fato é que há uns 15 dias, comecei a notar o meu cabelo mais duro, mais “grudado”, menos maleável independente até de quando eu fazia uma escova caprichada levantando a raiz pra ficar com aquele cabelo bouncy, com volume na raiz. Nada, niente, nulla, rien. Cabelo grudado na cabeça nível Severus Snape.

E depois piorou! Uns 10 dias atrás comecei a entrar em pânico que um lado do meu cabelo, sempre o lado direito (sabe-se lá por que cargas d’água, de repente é porque eu durmo desse lado), saía do banho TOTALMENTE EMBARAÇADO. Mas tipo, nível terror e pânico mesmo. Devia ter tirado uma foto pra provar que não tô exagerando, mas não tive essa presença de espírito. Não tô nem falando do aspecto vaidade da coisa, comecei a me preocupar com o tanto de cabelo que eu tava perdendo, porque mesmo que eu desembarace sempre com cuidado e carinho, minha escova sempre ficava lotada de cabelos falecidos.

Passei os primeiros dias em negação, amaldiçoando o dia em que resolvi fazer luzes de novo, porque justo naquele canto mais embaraçado é que tem uma mecha um pouco maior. Depois comecei a culpar o comprimento, já que nunca estive com o cabelo tão reto – to morta de saudade das minhas camadas, já de data marcada pra cortar! Mas aí voltei a pensar racionalmente e cheguei à conclusão de que, no mínimo, tinha que ser uma combinação do canto mais tingido, mais longo, mais agredido e portanto mais poroso, com o raio da água daqui de Londres, que é a mais dura na escala de dureza da região:

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A gente lembra do conceito de água dura que aprendeu no colégio né?! Eu lembro, e depois de vir morar aqui, não tem como negar que de fato afeta a nossa vida, porque os sais de cálcio se depositam na pia, na banheira, na chaleira elétrica… e no cabelo! Então fui ler sobre o assunto como parte da minha busca frenética por uma solução oquantoantespelamordedeus. E aí tudo fez ainda mais sentido.

Sabe esse terreno pedregoso adorável que faz com que a gente consiga ver as pedras no fundo? Que faz com que o rio não seja marrom lamacento? Que faz maravilhas da natureza como os penhascos brancos de Dover e a Jurassic Coast?

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Pois é. A mesma pedra que te dá esse prazer estético é a ruína do teu cabelo. Que beleza de metáfora pra vida né?! Hahahah o nome dela é limestone, calcário em português. Quando a água da chuva cai lá em Caçador, ela rola pedra abaixo sem grandes repercussões, porque o solo lá é rocha basáltica. Aqui, quando a água da chuva cai sobre pedras porosas como o calcário, ela penetra na pedra e vai dissolvendo cálcio e magnésio ao longo do caminho. E é por isso que nossas chaleiras elétricas sempre acumulam umas escamas branquinhas no fundo de tempos em tempos, porque a água vai fervendo e os sais de cálcio e magnésio vão ficando pra trás.

E vão ficando pra trás no nosso cabelo também. Os detergentes e shampoos tradicionais são compostos bicamada, que tem uma parte solúvel em água e outra em gordura, só que quando em contato com água dura, formam compostos insolúveis que se depositam e ficam ali para todo o sempre, amém.

A não ser que a gente use um composto quelante, que forma ligações muito fortes com esses compostos insolúveis e resgatam a dignidade das nossas cozinhas e, mais importante ainda, dos nossos cabelos!

Olha a diferença do meu cabelo entre as fotos acima e essa aqui embaixo, com o cabelo lavado em Amsterdam, cuja água é reconhecidamente das melhores e com menor teor de cálcio na Europa. Sem nem fazer escova!!! 

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A melhor opção seria um sistema de amolecimento da água para toda a casa, mas né… £££. A segunda alternativa é um filtro para o chuveiro, mas ainda assim custa mais de £200 e cada refil do filtro custa £80. Ou seja, nada feito por enquanto. Com esse valor, é mais custo-efetivo enxaguar o cabelo com água mineral sem gás por muito tempo! Opção esta que, aliás, ainda estou considerando.

Mas aí a partir disso, começou minha busca específica por um shampoo com agentes quelantes. A Amazon é minha melhor amiga e nessas horas é que vale a pena ter o Prime, pra receber no dia seguinte, porque todos os shampoos de limpeza profunda de farmácia estavam esgotados (além de nenhum deles mencionar especificamente agentes quelantes voltados à remoção de resíduos de cálcio). Pois bem. Comprei um deles que era mais amigo do bolso e seria entregue no dia seguinte só porque não aguentava mais aquele cabelo gosmento, e um outro mais potente e especializado, mas que chegaria só na semana seguinte.

O Neutrogena Anti-Residue Shampoo chegou no dia seguinte e corri pra lavar o cabelo, ansiosa pra ver o que aconteceria. Lavei uma vez e ao enxaguar já senti uma diferença imediata no couro cabeludo. Mas o canto loucamente embaraçado continuava lá. Lavei de novo e ele diminuiu, mas não sumiu por completo. Nem precisei ter vontade de arrancar os cabelos, porque a minha escova já tava fazendo isso por mim. Mas na verdade, depois de secar já percebi o cabelo uns 60% mais macio do que antes, então útil ele definitivamente é.


Fast forward uns dias… Cheguei da minha corrida no sábado de manhã, tomei meu banho e antes mesmo de sair do banheiro ouvi a batida na porta. Era o entregador com o shampoo novo: o Nioxin Intensive Therapy Clarifying Shampoo, que tem como promessa principal remover depósitos minerais! Aí sim, agora vai, José!


Fiz o que qualquer pessoa em sã consciência faria #not: meia volta volver, abri a caixa correndo, passei a mão numa toalha seca e entrei no banho de novo! Agora vai!

Realmente já senti diferença na hora de enxaguar o cabelo! Que maciez! Quanto tempo! Assim, não vou mentir, ainda tinha uns 10% do embaraçado, mas acho que nas próximas vezes que lavar vai saindo. Essa craca não se acumulou de um dia pro outro, então não vai ser de um dia pro outro que vai sair né?! Vamos ver, ainda dá pra melhorar, mas pelo menos o pesadelo da engronha cataclísmica já passou!!! Aleluia irmãos!
 

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Auto-suficiência belezística

Olha, me considero bem vaidosa. Gosto de me cuidar e principalmente gosto de me orgulhar do que vejo no espelho. Como na adolescência tive muita acne, desde uns 12 anos adoro limpadores (nunca deixo de limpar bem a pele desde aquela época, porque eles faziam muuuito diferença!), cremes de tratamento e uso protetor solar todo dia há muitos, muitos anos. Mesmo durante a residência fiz tudo que podia pra cuidar bem da minha pele e agora que sobra um pouquinho mai$, dermocosméticos são definitivamente meu maior “investimento” de beleza!


 Mas nunca fui de gastar rios de dinheiro com beleza, e especialmente nunca fui de passar horas em salão! Fazer a unha na manicure era uma coisa meio esporádica, que eu fazia quando queria me dar um agrado ou tinha alguma ocasião especial, já que meu orçamento sempre teve outras prioridades.

Em 2009, por algum motivo que nem sei, descobri vídeos de maquiagem no YouTube e passei por uma febre master de aprender maquiagem, depois aprendi a fazer minha própria unha, e nos últimos anos morando no Brasil, além de o fato do salão que eu mais adorava em Floripa ter ficado obscenamente caro, eu sabia que aqui no UK seria ainda mais e achei uma ótima oportunidade de economizar e ao mesmo tempo aprender a me depilar sozinha também.

E posso falar? Tenho o maior orgulho!!! Independência é uma coisa que sempre me deu o maior prazer, então nos últimos casamentos e formaturas que fui, fiz minha própria maquiagem e cabelo. Adoro! Mesmo que não fique perfeito, fico com aquele sentimento smug de tipo: “olha só! Não paguei NADA por isso gentem! E ainda fiz em casa bebendo um vinhozinho gelado e ouvindo música boa!” hahahahah

Isso tudo fez com que a mudança pra cá fosse super tranquila nesse sentido. Simplesmente nada mudou! Quer dizer, mudou sim: aqui tenho acesso a produtos muito melhores, por preços muito menores! Ou seja, como fiz a transição pra independência belezística ainda no Brasil, o que tinha potencial pra ser uma desvantagem na mudança acabou virando um upgrade!

Como tenho banheira em casa, adotei a técnica da Dri Miller de fazer um mini-spa caseiro semanal: exfoliação e hidratação da pele do rosto e do corpo, máscara regeneradora no cabelo, depilação e unhas. As vezes deixo a unha da mão de lado porque não posso pintar quando estou trabalhando, então tiro e hidrato as cutículas e fica por isso mesmo.

Hoje tá um domingão cinza e chuvoso aqui, ideal pra uma auto-paparicação, então comprei um “muscle soak” baratinho pra fazer espuma e agregar status ao meu banho de banheira e fui fundo!

O objetivo original desse post era só falar sobre O MELHOR ESFOLIANTE CORPORAL DO MUNDO, o Ultimate Salt Scrub da Sanctuary Spa.

Esse da esquerda foi uma tentativa frustrada. Não vejo diferença nenhuma, daí ta abandonado no meu chuveiro e só uso lá de vez em quando! Já o da direita é o MILAGRE em um potinho!

 

PRECISO de um bom esfoliante, porque tudo que eu tenho de caprichosa com a pele do rosto, tenho de preguiçosa com a pele do corpo. Só lembro de passar hidratante se estiver prestes a decretar calamidade pública! Então esse negocio me salva: eu sempre saio do banho com pele de bebê, não importa se antes de entrar ela tava assim:

Ele é uma mistura de sal do Mar Morto com óleo de coco, jojoba e amêndoas. Você massageia na pele seca e entra na banheira. Enquanto você faz as outras funções, o sal vai se soltando e a pele vai absorvendo os óleos todos. Não precisa nem passar hidratante depois do banho, porque os óleos ficam agindo até horas depois. Pra completar a experiência, tem um cheirinho maravilhoso que fica não só na pele, mas no banheiro todo!
E o segundo objetivo do post era filosofar hehehe enquanto relaxava na banheira, fiquei pensando no quanto fez diferença eu ter passado tanto tempo focando minhas energias e esforços no sonho de vir pra cá. Claro que na época eu não conseguia ver esse lado, queria ter vindo antes e tal. Hoje vejo que absolutamente tudo que aconteceu tornou minha experiência melhor: tive sorte de o Alex ter conseguido mudar pro Brasil, ele acabou se encontrando na profissão dele, aprendendo sobre a minha cultura e convivendo com a minha família, tive 3 anos maravilhosos na residência com um Mestre que nunca vou esquecer e não trocaria de jeito nenhum o meu padrão de experiência profissional até hoje por uma vaga de residência no UK, fiz amigos que trago comigo pra sempre! Não sei o que vai acontecer no futuro, mas hoje não trocaria meu passado por nada, nem pra vir morar aqui antes! Na época tinha plena consciência de só estar lá porque não podia estar aqui, mas agora vejo quão mais eu valorizo e agradeço pelo sonho realizado. Enfim, enquanto tudo isso acontecia, seguia os blogs de várias brasileiras morando aqui, o que significa que fui entendendo desde cedo quais eram as diferenças mais gritantes pra alguém de cultura brasileira se mudando pra cá. Sei que essa coisa do salão, manicure, depilação profissional etc etc é superficial, mas tô usando aqui como uma metáfora para o todo, sabe?! Tenho muito claro pra mim que o tamanho da minha felicidade agora vem do fato de que minhas expectativas sobre morar no exterior eram muito bem-ajustadas e realistas!